Com vacinação infantil abaixo da meta, especialistas temem retorno de doenças

Em 2020, a imunização de crianças foi 20% menor do que a meta; a cobertura mais crítica é da hepatite B, que despencou de 90%, em 2015, para 51% no ano passado

  • Por Jovem Pan
  • 04/02/2021 06h33 - Atualizado em 04/02/2021 06h36
Marcelo Camargo/Agência BrasilSegundo o infectologista Renato Kfouri, com a vacinação abaixo da meta aumenta o risco de retorno de doenças já erradicadas

Rubéola, poliomelite, difteria, paralisia infantil, tétano, entre outras doenças, parecem enfermidades do passado, né? No entanto, há um grande risco de também fazerem parte do futuro. O motivo é a diminuição no índice de vacinação de crianças a cada ano. Apenas em 2020, a imunização infantil ficou 20% abaixo da meta. Segundo o Ministério da Saúde, o ideal é imunizar anualmente 95% dos bebês com até 12 meses. No ano passado, esse número não passou de 72%.

A pandemia da Covid-19 está entre os principais fatores que motivaram a queda na vacinação em 2020. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80 milhões de crianças não foram vacinas em 2020. Para o infectologista Renato Kfouri, de fato, muitos pais ficaram com medo do contágio pelo coronavírus, mas esse não é o único motivo do recuo na imunização. “Temos fake news, desabastecimento de vacinas muitas vezes, temos um calendário muito mais amplo. Mas, como pano de fundo, a desmotivação em se vacinar vem da falta de percepção que o risco que essas doenças tinham e hoje não tem mais. As pessoas se questionam, para que eu vou vacinar contra uma doença que nunca ouvi falar?”, avalia.

Apenas uma vacina atingiu a meta, a Tríplice viral D1, que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola. A cobertura mais crítica é da hepatite B, que despencou de 90%, em 2015, para 51% no ano passado. Segundo o infectologista Renato Kfouri, com a vacinação abaixo da meta aumenta o risco de retorno de doenças já erradicadas. “É um equívoco imaginar que levar seus filhos para se vacinar ofereça algum risco. Um estudo publicado recentemente mostrou que o risco de uma criança vir a falecer por Covid-19 é 84 vezes menor que morrer por essas doenças do calendário infantil. Quem acha que protege seu filho atrasando o calendário vacinal, não expondo a Covid-19, tá expondo a criança a um risco maior não vacinando adequadamente.”

*Com informações da repórter Kallyna Sabino