Comerciantes reclamam de prejuízos com avanço da Cracolândia em SP

Em maio, uma ação policial resultou na dispersão dos dependentes químicos em novos pontos da região central

  • Por Jovem Pan
  • 29/06/2022 13h02 - Atualizado em 04/07/2022 10h37
Foto: ROBERTO HERRERA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Cracolândia - Helvétia Cracolândia: após serem retiradas da Praça Princesa Isabel, centenas de dependentes químicos se aglomeraram, dentre outros pontos, na Rua Helvétia, no centro de São Paulo

Comerciantes do Centro de São Paulo estão desesperados com o problema do tráfico de drogas na região. Apesar das ações da Polícia Militar e da Prefeitura a situação permanece complicada. A equipe da Jovem Pan News percorreu as ruas e avenidas da chamada ‘nova Cracolândia‘ e constatou o drama daqueles que tentam manter suas atividades comerciais em funcionamento, pois, as aglomerações em frente aos estabelecimentos, afugentam a clientela. A identidade dos entrevistados foi preservada pela reportagem.

“Nenhum cliente vem mais, o cara vira olha tudo isso aqui e volta direto pra cima”, desabafou um dono de uma loja de produtos elétricos que revelou que não consegue trabalhar nem de portas abertas e conta que depois que, logo depois que as restrições impostas ao lojistas por causa da pandemia do coronavírus foram aliviadas, dependentes químicos migraram para a região: “Saí de dois anos de pandemia para entrar nisso aqui, aí ferrou. Mais fácil começar de novo. Não posso nem fechar esse lado [da loja], porque se não eles entram aqui. É ficar aqui na porta”.

Em maio, houve uma ação policial que resultou na dispersão dos dependentes químicos. Ao invés de propor soluções para levar dignidade ao milhares de moradores de rua, a medida resultou em mais um deslocamento desordenado de pessoas. Essa foi a segunda mudança de endereço da Cracolândia em pouco mais de um mês. O ambiente de tráfico de drogas está agora espalhado por vários pontos do Centro da capital paulista, principalmente na avenida Duque de Caxias, no entorno da Praça Princesa Isabel e na alameda Barão de Piracicaba.

O impacto é direto na vida de quem mora e trabalha nestas áreas da cidade. Desde então, comerciantes clamam por uma ação urgente e muitos deles já não suportam mais a queda no movimento e estão prestes a fechar as portas. O dono de um restaurante afirma que, antes da migração, a casa ficava lotada e que agora é o oposto e a entrada de qualquer cliente no estabelecimento é motivo de comemoração. “Com essa nova situação a gente está prestes a fechar porque o movimento caiu de 80 a 90%. O restaurante está aberto há 50 minutos e ainda não tem ninguém”, denuncia o proprietário.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo diz que tem registrado aumento na busca para tratamento de saúde por dependentes químicos em situação de vulnerabilidade devido às ações de dispersão. No período entre 27 de março até 27 de junho, os orientadores registraram mais de 10 mil abordagens no território, que resultaram em mais de 2,5 mil encaminhamentos e um número superior a 7,5 mil orientações. A Secretaria Municipal das Subprefeituras, por meio da Subprefeitura da Sé, informou que realiza diariamente a coleta e a varrição na rua Helvétia e na Praça Princesa Isabel e seu entorno, onde por dia são retiradas cerca de 22 toneladas de lixo.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana destaca que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) atua diuturnamente na região com policiamento comunitário e preventivo. De janeiro até a primeira quinzena de junho deste ano a  GCM atendeu a 180 ocorrências, 80 relacionadas a entorpecentes. 220 pessoas foram conduzidas ao distrito policial, destas, 175 ficaram detidas. Foram apreendidos aproximadamente 9,5 kilos de drogas entre cocaína, maconha, crack e R$ 44 mil em dinheiro.

*Com informações do repórter Daniel Lian