Coordenador da Lava Jato prevê material para Operação por mais ‘dois ou três anos’

Alessandro Oliveira negou que a força-tarefa acabou e disse que não trabalha com outra possibilidade se não a prorrogação

  • Por Jovem Pan
  • 09/10/2020 10h32
MPF / Reprodução De acordo com ele, o procurador-geral da República, Augusto Aras, sinalizou que a prorrogação da Operação vai acontecer

O procurador da República e coordenador da Lava Jato no Paraná, Alessandro Oliveira, defendeu a força-tarefa e rebateu o discurso do presidente Jair Bolsonaro de que a operação tinha acabado porque “não tem corrupção no governo”. “A verdade é que ele propagou uma situação que não corresponde com a realidade. A Lava Jato está em andamento, as investigações estão a pleno vapor. Temos horizontes de continuidade.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Oliveira ressaltou que não trabalha com outra hipótese se não a prorrogação da Lava Jato por, pelo menos, mais dois ou três anos. De acordo com ele, o procurador-geral da República, Augusto Aras, sinalizou que isso vai acontecer. “Existe muito material a ser tratado, muita coisa para dar continuidade aos processos. Isso é uma verdade absoluta. Não trabalhamos com outra hipótese se não a necessidade de prolongar. Nos reunimos com o PGR e ele assumiu o compromisso de dar continuidade e apoio. Esperamos que essa verbalização se concretize. Olho o horizonte e não vislumbro um fim próximo.”

Alessandro Oliveira destacou que se surpreendeu com o que viu ao adentrar na Lava Jato há pouco menos de um mês. “Tem um horizonte muito amplo de possiblidades. A Lava Jato inaugurou um novo modelo de investigação do crime no Brasil. E eu espero que ele seja padronizado para investigações desse tipo, que ele seja implementado em outras instâncias e até ampliado. Seria uma grande tristeza se esse modelo vencedor caísse no esquecimento.”

O coordenador da Lava Jato no Paraná também destacou que vê “com muita naturalidade” os ataques das pessoas investigadas. “É um recurso psicológico natural, de defesa dos fatos e ataque ao acusados. Já nos acostumamos com isso e encaramos como natural”, alegou. Em relação aos ataques institucionais, ele acredita que não são intencionais ou orquestrados. “Temos nos limitado em um papel técnico, tentando mostrar a seriedade do trabalho e o compromisso com a apuração. A Constituição é sempre o nosso Norte. O combate à corrupção tem que ser uma bandeira efetiva”, finalizou.