Corticoide era usado para tratamento da Covid-19 no Brasil desde março, diz imunologista

  • Por Jovem Pan
  • 17/06/2020 08h49 - Atualizado em 17/06/2020 08h58
Cadu Rolim/Estadão ConteúdoEmbora sejam utilizados há cerca de três meses, o uso de corticoides voltou a ser debatido após uma pesquisa, divulgada pela Universidade Oxford na terça-feira (16)

O uso de corticoides para o tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus era adotado desde março no Brasil, explica o imunologista Roberto Zeballos, em entrevista ao Jornal da Manhã. Tratamentos com as substâncias já foram adotados em São Paulo, no Pará e no Maranhão para o combate à Covid-19.

Embora sejam utilizados há cerca de três meses no Brasil, o uso de corticoides voltou a ser debatido após uma pesquisa, divulgada pela Universidade Oxford na terça-feira (16), do Reino Unido, demonstrar a eficácia dos remédios para casos graves da doença.

Roberto Zeballos, no entanto, afirma que os resultados do estudo poderiam ser ainda melhores se os medicamentos fossem aplicados “um pouquinho mais cedo” durante o tratamento dos pacientes.

“Estamos falando há uns três meses, pareceu uma grande novidade, mas estamos fazendo há algum tempo. No Pará, criamos uma solução para o colapso, porque não tinha outra opção. Dos 323 casos, tivemos apenas um óbito e os outros todos altas. Só 44 internados e 280 não precisaram ser internados. Tem o momento certo de entrar com o corticoide, o resultado é brilhante.”

O imunologista considera que a aplicação dos medicamentos é positiva para combate o novo coronavírus. “Agora que tem o estudo vão oferecer o corticoide [para tratamento dos pacientes] e isso vai ter benefícios, como diminuir tempo de internação e a necessidade de ventilador. [O medicamento] será um aliado contra o temido colapso [do sistema de saúde]”, analisou.

Roberto Zeballos opinou ainda a respeito da reabertura das atividades econômicas em São Paulo. Para ele, é importante entender que o propósito do isolamento é “prevenir que sobrecarregue o sistema de saúde”. Entretanto, ele entende que, pelas diferenças econômicas, parte da população não adotou o isolamento, o que demonstra que a manutenção das restrições não traria, agora, benefícios para o enfrentamento da pandemia.