Covid-19 matou três vezes mais crianças que a soma de outras 14 doenças, revela Fiocruz

Número é maior do que o triplo da soma de mortes provocadas por outras efermidades, para as quais há vacinas, durante toda a última década

  • Por Jovem Pan
  • 26/07/2022 11h20
SUAMY BEYDOUN/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO Criança indígena da etnia Poty mostra comprovante da vacina Stella Pará Poty Fernandes Martins, 09 anos, criança indígena da etnia Poty, uma das primeiras crianças a receber a primeira dose da vacina; de acordo com o levantamento da Fiocruz, apenas a vacinação pode reduzir o dado alarmante de mortalidade infantil

Entre 2020 e 2021, a Covid-19 matou 539 crianças com idades entre 6 meses e três anos. O número é maior do que o triplo da soma de mortes provocadas por outras doenças, para as quais há vacinas, durante toda a última década. Entre 2012 e 2021 foram 144 mortes na mesma faixa etária. O levantamento é do Observatório da Saúde da Infância da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os pesquisadores utilizaram dados do Sistema de Informação de Mortalidade e de acordo com a lista brasileira de mortes evitáveis para menores de cinco anos. Esse inventário tem 14 doenças cujo o desfecho fatal pode ser evitado pela imunização, como é o caso do sarampo e do tétano.

A vacinação infantil contra a Covid-19 começou recentemente no país, de forma escalonada em alguns estados por falta de doses para atender a todo o público. Ainda não há perspectiva para a faixa etária entre 6 meses e três anos. O pesquisador da Fiocruz Cristiano Boccolini, coordenador do levantamento, alerta para o que significa a ausência da vacina para os bebês: “A gente estaria prendendo de 70 a 80 vidas de crianças e bebês em cerca de três meses no Brasil”.

“Estados Unidos e Argentina já apresentaram a aprovação do uso emergencial para a Covid-19 nessa faixa etária, a partir de 6 meses, e tiveram zero registro de intercorrências graves, óbitos ou qualquer outro tipo de problemas relacionados à vacinação nessa faixa etária”, esclarece o pesquisador.

Nesta segunda-feira, 25, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que as doses de CoronaVac que faltam para a vacinação de todas as crianças a partir de 3 anos serão compradas do Consórcio COVAX Facility e não do Instituto Butantan, que produz o imunizante no Brasil. A justificativa do ministro é de que as doses já estão prontas, o que traria mais agilidade. Mas ainda não há a previsão de quando elas chegam ao Brasil.

*Com informações da repórter Carolina Abelin