Covid-19 pode ter acelerado aprovação de PL que facilita acesso à quimio oral, diz oncologista Fernando Maluf

  • Por Jovem Pan
  • 04/06/2020 08h25 - Atualizado em 04/06/2020 08h27
ReproduçãoO fundador do Instituto Vencer o Câncer também ressaltou a importância de não abandonar o tratamento por conta do medo da pandemia

O médico oncologista Fernando Maluf, que também é fundador do Instituto Vencer o Câncer, comemorou a aprovação do Senado, com unanimidade, do projeto que amplia o acesso ao tratamento da doença via oral. Agora, esses remédios de quimioterapia deverão ser entregues aos pacientes em até 48 horas.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, Maluf explicou que, antes, o processo era mais burocrático sem necessidade. De acordo com ele, a pandemia pode ter acelerado a tramitação da pauta no congresso nacional.

“Substituir um tratamento endovenoso por um oral, nesse momento, é muito desejável porque evita a ida ao hospital e também realoca recursos para a covid-19 — como médicos, enfermeiros, leitos e espaço. Ou seja, além de benéfico ao paciente também é ao sistema de saúde.”

O PL em discussão, que agora deve ser votado pela Câmara dos Deputados e depois sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro, retira a necessidade de uma segunda lista de aprovação para a quimioterapia oral — além da lista já existente da Anvisa. Segundo o oncologista, o que acontecia até hoje era um “erro gravíssimo”.

“O remédio endovenoso é rapidamente disponibilizado enquanto o oral tem que passar por uma lista de aprovação que leva de 2 a 3 anos mesmo que já tenha sido aprovado pela Anvisa. A cada 10 remédios contra o câncer, 7 são orais. Então estamos falando de um grande contingente. Se sancionado pelo presidente, essa novo PL vai ajudar cerca de 50 mil brasileiros e salvar muitas vidas.”

O fundador do Instituto Vencer o Câncer também ressaltou a importância de não abandonar o tratamento por conta do medo da pandemia da covid-19 e nem deixar de investigar possíveis tumores por não querer ir ao hospital.

De acordo com ele, um estudo inglês mostra que a mortalidade do câncer vai aumentar, em 2020, de 20% a 60% em relação ao ano de 2019 por conta desses motivos. Outro estudo, dessa vez americano, indica que 88 mil casos de câncer de intestino, próstata, pulmão, mama e colo de útero deixaram de ser diagnosticados nos últimos 3 meses.

“Alertamos as pessoas com câncer a conversarem com seus médicos para encontrar um equilíbrio entre a luta contra a doença e a proteção contra a covid-19. O medo da pandemia tem que ser menor em relação ao tumor que, na maioria dos casos, é muito mais grave”, finalizou.