CPI faz estrago político em estruturas do governo e não ajuda posteriormente, diz Confúcio Moura

Presidente da Comissão Temporária da Covid-19 afirmou que CPI ‘olha para retrovisor’ enquanto outro grupo busca soluções imediatas nos problemas do país

  • Por Jovem Pan
  • 17/07/2021 12h22
Will Shutter/ Câmara dos DeputadosSenador falou sobre Comissão Temporária no Senado

O presidente da Comissão Temporária da Covid-19 do Senado, Confúcio Moura (MDB-RO), falou com o Jornal da Manhã, da Jovem Pan, neste sábado, 17, sobre os andamentos da comissão, instaurada em março de 2020, ao longo da pandemia e afirmou que não acredita que a Comissão Parlamentar de Inquérito, aberta em 2021 para investigar possíveis crimes na condução da crise sanitária do país ajude nem atrapalhe na situação atual do Brasil. “Ela é uma delegacia de polícia, é um processo de investigação, de levantamento, é um inquérito, para ouvir pessoas, promover relatórios, o problema maior é o estrago político que vai acontecendo nas estruturas do governo, agora, posteriormente, ela em si não ajuda”, opinou. O senador lembrou que a comissão presidida por ele foi a única que atravessou o ano de 2020 inteiro em busca de resolver problemas como falta de kit intubação, equipamentos e outras necessidades nos Estados e municípios. “Essa comissão nossa é vigilante, vai atrás, procura através da pressão, através das audiências públicas com especialistas, nos encaminhar posições claras de reivindicação de providências, tanto do Ministério da Economia, Ministério da Educação, quanto também do Ministério da Saúde. Ela olha para frente enquanto a CPI olha pelo retrovisor, vai buscar coisa do passado”, afirmou. O parlamentar encarou como natural, porém, o fato da CPI ganhar mais atenção na imprensa do que a comissão presidida por ele.

Ele lembrou que 56 sequelas da doença já foram reconhecidas pela medicina, indo de vertigens a dores musculares, o que fez com que a comissão considerasse a liberação de recursos para ajudar aqueles afetados a longo prazo pelo vírus. “Logicamente os estados deverão compor as estruturas especializadas de fisioterapia, fonoaudiologia, apoio psicológico, para todos esses sequelados que a medicina está aprendendo com a doença”, disse. O político considerou cada dia que se passa como uma “agonia” para atenuar os efeitos da doença nos brasileiros e afirmou que o momento da pandemia, mesmo que mais atenuado do que há alguns meses, ainda deve ser considerado como de extrema gravidade. “A doença está avançando. Mesmo os vacinados, alguns deles, conseguem contrair a doença de forma mais branda. Ninguém sabe se precisa tomar a terceira dose no ano que vem ou se faz ainda neste ano, o mundo está preocupado”, explicou. Ele louvou, porém, o trabalho eficiente da ciência em busca de soluções para a doença. “Não é hora de abaixar a guarda, tirar a máscara e promover aglomerações. Todos os demais cuidados preventivos são recomendados”, afirmou. O efeito da pandemia no ensino foi apontado pelo senador como um problema geracional ainda não mensurado em números que precisa ser solucionado com urgência.

Para ele, as aulas não podem mais ser adiadas e precisam ser retomadas em agosto com testagem em massa dos alunos, que deverá seguir recomendação dos médicos infectologistas. Ações de recuperação e retomada do Brasil ainda são uma incógnita para a comissão. Confúcio afirma que encarar a pandemia como uma guerra para que a população se una após a destruição causada por ela é uma possibilidade para reerguer o país no futuro. As reformas são apontadas como essenciais pelo político. “O governo não provoca em si o desenvolvimento, quem produz o desenvolvimento é o empresário, a iniciativa privada. O governo deve ser prestador de serviços de qualidade, facilitar a vida de mercadores que vão buscar espaço no mundo de venda, e não a trava que o Brasil faz com empresários para exportar, as dificuldades de todas as naturezas, tributárias, alfandegárias”, afirmou. O senador apontou que o Ministério da Economia deve trabalhar o barateamento de importação e exportação e na segurança jurídica dos negócios no país para que deixemos de “chover no molhado”.

Confira o Jornal da Manhã deste sábado, 17, na íntegra: