Dallagnol avalia que não existe nada que justifique seu afastamento da Lava Jato

Coordenador da força tarefa será julgado na próxima terça-feira pelo Conselho Nacional do Ministério Público

  • Por Jovem Pan
  • 17/08/2020 09h44 - Atualizado em 17/08/2020 09h45
Fernando Frazão/Agência Brasil Pelo CNMP já passaram pelo menos 50 reclamações disciplinares contra o procurador

O coordenador da força tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, não acredita que existam fatos que embasem seu afastamento do Ministério Público. De acordo com ele, o próprio histórico do Conselho Nacional do MP (CNMP) mostra que casos precedentes envolviam “coisas muito graves” e nada parecidas com a sua realidade. Pelo CNMP já passaram pelo menos 50 reclamações disciplinares contra o procurador.

Dallagnol pode ser afastado do cargo na terça (18) se confirmada atuação política contra investigados ou mau uso das opiniões nas redes sociais. As reclamações julgadas partiram da defesa do ex-presidente Lula no caso do ‘powerpoint’ e dos senadores Kátia Abreu e Renan Calheiros. “Não existe nada que justifique medida extrema, como a remoção de cargo. Ao meu ver, está longe de caracterizar queda de decoro. Uma ação se refere a uma punição por comentários em redes sociais e a outra pede meu afastamento.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o procurador defendeu a liberdade de expressão e alegou que suas manifestações em redes sociais — de acordo com ele, mais de 10 mil — são feitas como cidadão, com cuidado e respeito. “A gente sempre faz críticas no contexto de aperfeiçoamento, ninguém está querendo pregar o fechamento do Congresso ou do STF. A liberdade de expressão, se fosse para defender elogios, não precisaria existir. Ela existe para proteger críticas ácidas. O que não podemos fazer é pregar fechamento das instituições, que vai contra a própria democracia. A liberdade de expressão depende dessas instituições para sua própria existência.”

Deltan Dallagnol avaliou que o Brasil teve um momento que o combate à corrupção avançou muito — inclusive com decisões importantes do STF, como a autorização da prisão em segunda instância em 2016, e o fechamento de acordos de colaboração premiada. “Tivemos momentos de grandes avanços tanto nos trabalhos quanto nas ruas. Mas, conforme o assunto foi cansando, a visibilidade foi diminuindo. Isso não é novidade. A corrupção reage, porque toda ação provoca uma reação”, finalizou.