Doria anuncia nesta segunda ‘bolsa trabalho’ para 30 mil pessoas de baixa renda

Anúncio do governo de São Paulo acontece em meio aos debates sobre o retorno do auxílio emergencial

  • Por Jovem Pan
  • 22/02/2021 07h32 - Atualizado em 22/02/2021 09h29
RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOSegundo o governador de São Paulo, no entanto, o benefício apenas será entregue com contrapartida do trabalho

A retomada do auxilio emergencial também preocupa estados e municípios pelo país. Governador e prefeitos avaliam a possibilidade de criar benefícios próprios enquanto o Congresso Nacional e o governo federal buscam alternativas para custear o pagamento. O governador de São Paulo, João Doria, anuncia nesta segunda-feira, 22, a criação de um programa de ajuda de R$ 210. A proposta deve abranger 30 mil pessoas de baixa renda do estado. “Essa bolsa trabalho vai apresentar recursos para que pessoas em situação de pobreza possam ter empregabilidade, recebendo salário, mas trabalhando. Mas não faremos a entrega apenas como auxílio sem a contrapartida do trabalho.”

A iniciativa estadual acontece em um momento que o Congresso Nacional se prepara para discutir a prorrogação do auxílio emergencial, tema sensível para o governo federal. A volta do benefício foi tema de reunião neste domingo, 21, entre o presidente Jair Bolsonaro e o relator do Orçamento e da PEC Emergencial, senador Márcio Bittar. Nesta semana, o senado votará o Orçamento de Guerra com a cláusula de calamidade pública para permitir a flexibilização do teto de gastos, abrindo caminho para a retomada dos pagamentos. O presidente da casa, Rodrigo Pacheco, avalia que a emenda que determina que a despesa pública só seja corrigida pela inflação é importante, mas não, um critério absoluto. “De onde vamos tirar o dinheiro para dar esse auxílio emergencial? Encontramos o caminho nessa proposta que estou pautando na semana que vem para poder permitir essa cláusula de calamidade pública, para flexibilizarmos a questão do teto de gastos e permitir esse gasto.”

Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, adiantou que a PEC Emergencial só deve ser analisada em março. Segundo o analista de política e economia, Miguel Daoud, a discussão sobre a conciliação entre o auxílio emergencial e o teto de gastos requer uma reflexão sobre o que é importante e o que é urgente. “Já estamos com mais de 60 milhões de brasileiros que não tem mais como colocar comida na mesa dos seus filhos. Será que é difícil entender uma situação atípica que estamos vivendo? Não dá para discutir as mesmas coisas neste momento”, disse. O economista Raul Velloso também avalia que não deve haver limitação de gastos para a retomada do auxílio. “É preciso renová-lo e chutar o teto de gastos, porque a única coisa que ele faz é atrapalhar. Ele impede que gastos prioritários sejam feitos e faz com que os investimentos em infraestrutura sejam zerados”, afirmou. Neste final de semana, partidos de oposição e representantes de entidades sindicais organizaram carreatas pelo país, pedindo o restabelecimento do auxílio emergencial, além da compra de vacinas contra a Covid-19 e o impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

*Com informações do repórter Vinicius Moura