Eduardo Girão critica condução da CPI da Covid-19: ‘Estão atrasando o país por politicagem’

Segundo o parlamentar, parte dos senadores está ‘fazendo política e antecipando o calendário eleitoral’ de 2022: ‘Tem gente morrendo ainda por questão de saúde pública’

  • Por Jovem Pan
  • 19/05/2021 09h25 - Atualizado em 19/05/2021 15h58
Pedro França/Agência SenadoEduardo Girão pontuou que a expectativa é que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não fique calado durante depoimento na CPI da Covid-19

O senador Eduardo Girão (Pode) criticou o andamento da CPI da Covid-19 no Senado Federal. O parlamentar defende a necessidade de avançar nas investigações sobre possíveis desvios de recursos por parte dos Estados e municípios, o que, segundo ele, ainda não aconteceu por “politicagem”. “No momento que a gente precisa gerar empregos, que a gente precisa diminuir a fome, tem gente morrendo ainda por questão de saúde pública, está se fazendo política e antecipando o calendário eleitoral do ano que vem. Isso é covardia, vejo que esses caras estão atrasando país por politicagem”, disse em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, ressaltando que parte dos senadores parecem não acreditar “que o presidente ganhou nas urnas” em 2018 e estão levando a condução da CPI para o lado pessoal. “É justo com o povo brasileiro, é justo com pessoas que estão indo trabalhar, sofrendo por uma guerra política? A CPI está derretendo por esse tipo de postura, por politicagem. Espero que se possa rastrear os bilhões que foram enviados para Estados e municípios, dinheiro não faltou e os escândalos estão aí”, ressaltou, defendendo que as oitivas aconteçam de forma alterada: um depoimento sobre investigação do governo federal e um sobre os repasses aos entes federativos. “É uma blindagem para proteger governadores e prefeitos”, completou.

Ainda a respeito das oitivas, o senador pontuou que a expectativa é que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não fique calado durante depoimento na CPI da Covid-19. O genera,l que presta depoimento no colegiado nesta quarta-feira, 19, garantiu no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de permanecer em silêncio durante a oitiva. No entanto, os parlamentes esperam que o ex-ministro possa esclarecer algumas dúvidas. “Esse habeas corpus acredito que é uma medida de proteção por causa da condução extremamente agressiva e parcial. Para mim, já tem um relatório pronto do Renan Calheiros, a animosidade muito grande que ele já tem para condenar o governo federal. A gente acredita que o ex-ministro nem deveria precisar desse habeas corpus, embora seja compreensível pela intimidação”, afirmou. Eduardo Girão disse ainda esperar que Renan Calheiros, relator do colegiado, “se contenha um pouco mais” durante o depoimento, que pode trazer informações para o cruzamento de informações e para “buscar verdades” com relação à atuação do governo federal na pandemia.