Eleições 2020: Desafio do próximo prefeito de SP na mobilidade urbana será com subsídios do transporte público
Um dos impasses que o próximo prefeito de São Paulo vai ter que resolver ao assumir o cargo está relacionado aos subsídios do transporte público. Com a pandemia do coronavírus, o número de passageiros nos ônibus paulistanos despencou. Neste mês, mesmo depois da retomada da economia, apenas cinco milhões de pessoas usaram o transporte na capital paulista em dias úteis. O número é 40% menor do que a média do ano passado. Até julho, a prefeitura já tinha repassado um R$ 1,7 bilhão às empresas de ônibus, ou seja, 75% do total previsto para este ano. Para o especialista em Engenharia de Transportes Horácio Figueira, existem algumas opções para tentar equilibrar essa conta. “Multa de trânsito seria aplicada integralmente para financiar o transporte coletivo, para diminuir tarifa. Outra medida seria criar um imposto que sobretaxasse a gasolina e o álcool aí você reduziria a tarifa dos ônibus de todo o Brasil.”
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Outro desafio do próximo prefeito é melhorar o transporte público para quem mora na periferia da capital paulista. O especialista em mobilidade Vladimir Maciel explica que o problema está na forma como a cidade de São Paulo foi planejada, com vias que saem do centro. “Para a maior parte das locomoções temos que ir na área central, então a gente congestiona o centro. A solução para isso é você conectar as áreas não pelo meio da cidade, mas fazer uma volta, o perimetral. E isso é incompleto no nosso transporte“, afirma. Se esse transporte perimetral estivesse estruturado, a vida do estudante de nutrição Murilo José da Silva seria mais fácil. Ele mora na Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, e antes da pandemia trabalhava na Zona Oeste. Ele demorava duas horas para ir e duas para voltar do serviço. “Seria muito mais fácil se agente conseguisse colocar um terminal intermediário na Zona Norte para levar as pessoas para os bairros mais próximos sem precisar passar pelo grande centro antes. Não precisar cruzar a marginal para depois voltar para um bairro da zona norte ou da zona oeste”, diz. O especialista em mobilidade Vladimir Maciel também critica a falta de conexão entre os diferentes modais de transporte. “A gente cria ciclovia, mas ela não conversa com ônibus e com metrô. Estações de trem e de metrô não são todas que têm condições de carregar bicicleta em todos os horários ou de guardar bicicleta.”
*Com informações da repórter Nicole Fusco
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