Eleições 2020: A Zona Leste de São Paulo e os desafios para os próximos quatro anos

Segundo levantamento, quase 30% das pessoas que moram na região levam mais de duas horas para chegar ao trabalho

  • Por Jovem Pan
  • 17/09/2020 06h16 - Atualizado em 17/09/2020 08h07
Laércio Souza/Estadão ConteúdoA urbanista Lucila Lacreta diz que uma maneira de resolver o problema de mobilidade na região é levando mais emprego para a zona leste

Com mais de 4,4 milhões de habitantes, a Zona Leste é a mais populosa da cidade de São Paulo, caracterizada pelas áreas periféricas que abriga. A mobilidade é uma das carências da região. Segundo um levantamento feito no ano passado pela Rede Nossa São Paulo, quase 30%o das pessoas que moram na Zona Leste levam mais de duas horas para se deslocar de casa para o trabalho. A urbanista Lucila Lacreta diz que uma maneira de resolver esse problema é levar mais emprego para a região. “Não adianta dizer que vai dar desconto de IPTU para quem se instalar na zona leste. Não basta, tem que ter um planejamento maior, um planejamento da circulação, um planejamento de habitação, de escola, de trabalho, de e saúde.”

Outro problema de quem mora na Zona Leste são as enchentes. A principal preocupação de quem mora na Vila Aimoré, na zona leste de São Paulo, é com o período das chuvas. Isso porque toda água suja e lixo do córrego Itaim Paulista invade a casa dos moradores. No ano passado, a costureira Ângela Carla Siqueira perdeu todos os móveis que tinha e precisou de doações para reconstruir a casa onde mora com as quatro filhas. Ela também pegou uma doença quando ainda estava grávida da caçula. “Foi muito ruim para a minha gestação, tive que tomar muito antibiótico. O risco maior era o bebê, que corria o risco de nascer cega. Graças a Deus não aconteceu”, afirma.

De acordo com a urbanista Larissa Campagner, essa não é uma questão exclusiva da região, mas é agravada pela infraestrutura precária. Nem sempre a gente tem o básico do encanamento, de toda infraestrutura que vai levar as águas pelo subsolo. Tem muitas áreas de ocupação precária, áreas vulneráveis, pessoas morando em beiras de córregos”, explica. Esse é o caso da auxiliar de limpeza Maria Aparecida Rocha. Ela mora na beira de um córrego com os seis filhos. “Todo o ano é complicado porque quando está Sol demais o rio está sujo e fedendo. E na chuva é pior porque entra também e junta com a água”, afirma. De acordo com a Cida, se por um lado falta infraestrutura, por outro, sobram promessas, principalmente neste período de eleições. “Só no tempo de eleição que a gente sabe que eles dão uma visitinha e tchau.”

*Com informações do repórter Nicole Fusco