Eleições 2020: Os desafios relacionados ao centro da capital paulista

As tentativas das últimas gestões de tentar revitalizar a região acabaram esbarrando no problema do tráfico e do consumo de drogas

  • Por Jovem Pan
  • 14/09/2020 06h24 - Atualizado em 14/09/2020 07h58
Estadão ConteúdoAtualmente, cerca de 1600 dependentes químicos circulam diariamente pela região, segundo um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Do alto da capital paulista, a Selva de Pedra pode parecer tudo igual, mas a desigualdade está presente em todas as regiões do município. No centro de São Paulo são vistos muitos contrastes: de um lado prédios comerciais imponentes e imóveis invadidos. O vai e vem de trabalhadores em meio a pessoas que não têm onde morar. A Rita de Cássia Vieira vive na rua na região do Páteo do Colégio há quase cinco anos. Ela trabalhava como empregada doméstica, mas foi demitida por causa dos ataques epiléticos que sofre desde criança. “Aqui é onde dá para sobreviver melhor, em outros lugares não dão comida, não dão roupa, não tem lugar para tomar banho”, conta ela. Ao mesmo tempo, outro cenário emblemático da região central é a Cracolândia, um problema de saúde e segurança pública que se arrasta há várias gestões. A Laurentina Dias trabalha como camelô e passa pela região todos os dias. “Agora eu não tenho nada porque eu tenho medo de ser roubada, já fui roubada duas ou três vezes aqui, faz uns três meses. Então deixo em casa o celular porque é perigoso“, afirma a trabalhadora. A Ednalva Santana é cozinheira e também tem medo. “Eu não me sinto segura no Centro em lugar nenhum. Nem aqui, nem na Sé, não me sinto segura”, reforça.

As tentativas das últimas gestões de tentar revitalizar o centro acabaram esbarrando no problema do tráfico e do consumo de drogas. Atualmente, cerca de 1600 dependentes químicos circulam diariamente pela região, segundo um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo o analista criminal Guaracy Mingardi, a Cracolândia não destrói só os usuários, mas também todo o local. “A região central já vem deteriorando há algum tempo. Durante o dia ainda é possível ter um negócio por perto, não exatamente na Cracolândia. Mas ter um negócio em uma região que ninguém mora e fica abandona durante a noite sempre foi um problema”, explica. O Luiz Carlos Granieri tem uma joalheria na região central há cerca de 50 anos e acompanhou esse processo de perto. “Em todas as cidades que você vai, Paris, Roma, Buenos Aires, Londres, o centro da cidade é um local preservado, um lugar maravilhoso que as pessoas frequentam. Aqui não, aqui o centro foi sendo esquecido, infelizmente.”

*Com informações da repórter Nicole Fusco