Em carta, ganhadores do Nobel alertam contra ataques à ciência no Brasil

Com mais de 200 assinaturas, documento critica atuação do governo na pandemia; segundo os pesquisadores, a ciência sofre ‘cortes orçamentários, perseguições e a instrumentalização para fins eleitorais’

  • Por Jovem Pan
  • 20/04/2021 06h59 - Atualizado em 20/04/2021 09h54
EFE/EPA/RONALD WITTEK/ArchivoNesta segunda, o país registrou 30.600 novos casos da Covid-19, se aproximando dos 14 milhões de infectados

Em uma carta que já soma mais de 200 assinaturas, pesquisadores do mundo todo se uniram para defender o exercício da ciência no Brasil e criticar a atuação do governo na pandemia. O documento com a participação de três ganhadores do prêmio Nobel também é assinado por cientistas brasileiros. No texto, eles afirmam que “a ciência brasileira sofre com cortes orçamentários, perseguições e a instrumentalização para fins eleitorais”. O grupo ainda aponta o governo de Jair Bolsonaro como o responsável pela proliferação de informações falsas referentes a Covid-19, o que agravou a situação da pandemia no país. Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Augusto Heleno, reconheceu que a comunicação em relação à crise precisa melhorar.

Nesta segunda, o país registrou 30.600 novos casos da Covid-19, se aproximando dos 14 milhões de infectados. Segundo o Ministério da Saúde, quase 375 mil pessoas morreram em decorrência da doença. Em São Paulo, Estado com mais casos e óbitos, a ocupação de leitos de UTI vem caindo nos últimos dias. Em evento do Conselho Regional de Medicina, o vice-diretor clínico do Hospital das Clínicas, Edivaldo Utiyama, ressaltou que apesar da queda nas internações, as mortes continuam aumentando. “Ainda em número bastante elevados, portanto não dá para dizer que nós podemos ficar tranquilos. mas a gente espera que se essa tendência manter, até final de maio teremos uma redução bastante significativa dos casos.” Edivaldo Utiyama reforça que as medidas de prevenção ainda são a maneira mais eficaz de conter o avanço do vírus, até que a maior parte da população seja vacinada.

*Com informações da repórter Letícia Santini