Em gesto diplomático, Bolsonaro participa de jantar com embaixadores de países árabes

  • Por Jovem Pan
  • 11/04/2019 06h34 - Atualizado em 11/04/2019 10h52
Alan Santos/PRBolsonaro disse que pretende visitar países da região e destacou que quer manter os laços

O presidente Jair Bolsonaro participou de um jantar com 37 embaixadores de países islâmicos como um gesto de reaproximação.

O objetivo era acabar com o mal-estar gerado com a viagem do presidente a Israel, a abertura de um escritório comercial em Jerusalém e a possibilidade de transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém, o que não agradaria aos países árabes e muçulmanos. Afinal, eles estão entre os principais parceiros do agronegócio brasileiro e havia um temor de retaliação comercial.

Após o jantar, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, comemorou a reunião: “ser um país amigo de todos e nosso papel é fortalece, além da amizade, o negócio da agropecuária brasileira”.

O encontro aconteceu na sede da CNA (Confederação Nacional da Agricultura). O presidente Jair Bolsonaro fez um rápido discurso. Ele disse que pretende visitar países da região e destacou que quer manter os laços: “que esses laços comerciais cada vez mais se transformem em laços de amizade, respeito e fraternidade”.

Mas a possível mudança de local da embaixada do Brasil em Israel ainda não é assunto encerrado. Quando questionado por jornalistas, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, não quis responder.

Já o deputado Eduardo Bolsonaro, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, desconversou: “essa questão não chegou ao Brasil, até porque não foi assinada nenhuma espécie de acordo”.

Porém, o embaixador da Autoridade Palestina, Ibrahim Alzeben, apesar de ter elogiado o evento, mandou um recado: “este conflito não é do Brasil. Vamos manter as boas relações com o Brasil e desejamos o melhor. Fiquem longe deste conflito e vocês ganharão o mundo inteiro”.

Hoje, os países islâmicos são o terceiro maior importador do agronegócio brasileiro, atrás apenas da China e da União Europeia.

Cerca de 15%das exportações brasileiras no setor vão para essas nações. As vendas para a região somaram mais de 16 bilhões de dólares no ano passado. São tidos como países islâmicos todos aqueles onde mais da metade da população se classifica como muçulmana. São mais de 50 no total.

*Informações do repórter Levy Guimarães