Em reencontro, Bolsonaro e Doria mantêm distância

  • Por Jovem Pan
  • 12/10/2019 08h45 - Atualizado em 12/10/2019 13h01
Marcos Corrêa/PREles estavam na cerimônia de formatura de sargentos da Polícia Militar (PM) de São Paulo

Pela primeira vez desde as trocas de farpas, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), dividiram o palco na solenidade de formatura de sargentos da Polícia Militar (PM) paulista, que aconteceu no sambódromo do Anhembi. Os dois se cumprimentaram, mas o distanciamento e o desconforto eram visíveis.

Em sua fala, Bolsonaro enalteceu os PMs e lembrou seu discurso na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). “A vocês devemos lealdade e todo o sacrifício para que nós possamos colocar o nosso Brasil no local de destaque que ele merece. Assim foi o meu discurso na ONU, elogiado por grande parte da população Brasileira. Naquele momento, também, pela primeira vez, eu estive do lado das Polícias Militares do Brasil. Outros que me antecederam criticavam a ação dos policiais, eu os saúdo e os louvo, aqui, lá, em qualquer lugar do Brasil e do mundo”, disse.

Ele chegou a tirar selfies com os policiais e seus familiares durante o evento e carregou no colo uma criança, vestida com a farda da PM, e uma arma de brinquedo na mão. Doria, no entanto, aproveitou o tempo de discurso para afirmar sua gestão não é oposicionista ao governo federal. “Em São Paulo, não fazemos oposição ao Brasil, nós estamos ao lado do Brasil. E toda as propostas positivas para o nosso país, para o nosso povo, terão o nosso apoio”, garantiu.

A tensão entre ambos foi marcante. Durante a cerimônia, os dois desceram do palco para cumprimentar os formandos, no entanto, não seguiram juntos: cada um foi para um lado.

Crise

As rusgas internas permanecem no PSL. O senador Major Olímpio (PSL-SP), por exemplo, apoia Bolsonaro, mas defende a saída de seus filhos da legenda. “Gostaria. Nunca escondi isso de ninguém. Gostaria. E outra coisa: nós apoiamos o presidente Bolsonaro. Não reconheço, no país, monarquia, dinastia, filho príncipe, nada disso. Aliás, o que está desgastando muito o presidente são filhos com mania de príncipes’, disse, durante o evento.

*Com informações do repórter Daniel Lian