Embaixador do Brasil no Paquistão diz que é prematuro tentar definir situação do Afeganistão agora

Segundo Olyntho Vieira, tentar olhar a região com olhos ocidentais não é o melhor caminho para compreender o que se passa no país

  • Por Jovem Pan
  • 27/08/2021 10h06 - Atualizado em 27/08/2021 15h52
EFE/EPA/STRINGERDuas famílias brasileiras manifestaram desejo de sair de Cabul; uma delas embarcou para a Espanha

O embaixador do Brasil no Paquistão, Olyntho Vieira, afirma que é prematuro tentar definir a situação do Afeganistão agora. “Essa é uma região extremamente complexa. É preciso entender como funcionam os diferentes elementos que compõem a sociedade. A questão dos ataques ao aeroporto de Cabul ontem demonstra que há uma divergência entre o Talibã e o Estado Islâmico. Não é muito claro se há uma condição de pacificação, ainda não há elementos que permitam ter uma visão clara da situação”, avalia. Segundo ele, tentar olhar o Oriente com olhos ocidentais não é o melhor caminho para compreender o que se passa no país. Até por isso, é difícil dizer que houve erro de alguma parte ao não prever a retomada do poder pelo Talibã. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, ele afirmou que não podemos subestimar a capacidade dos serviços de inteligência. “Seria ingênuo”, disse Olyntho.

“É muito difícil mergulhar no funcionamento de uma sociedade que nós não, necessariamente, entendemos — por maior que sejam os esforços”, completou. O embaixador lembrou da fama do Afeganistão de ser o cemitérios dos impérios. “É muito difícil esse momento. A situação é muito mais complexa, o país é desconhecido. Insisto: é uma região do mundo que tendemos a enxergar com olhos ocidentais. E essa não é a melhor forma de entender como funciona a sociedade. Não é simples. É um mundo não linear para nós.” Sobre o contato do Brasil com o Talibã, Olyntho afirmou que não existe — apesar de insistir que os direitos humanos, das minorias, de mulheres e crianças sejam respeitados. Duas famílias brasileiras manifestaram desejo de sair do Afeganistão. Uma delas conseguiu embarcar em um voo para a Espanha, a outra ainda não. “Trabalhamos para que eles acabem chegando a um porto seguro, seja pelo embarque em um dos voos ou outro meio.”