Endividamento chega a 71,3% das famílias e bate recorde na cidade de São Paulo

Pesquisa da Fecomercio-SP indica que inadimplência teve leve aumento e confiança do consumidor caiu

  • Por Jovem Pan
  • 09/11/2021 09h11 - Atualizado em 09/11/2021 10h11
RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Movimentação na região da 25 de março Desemprego e inflação são principais fatores para aumento do endividamento

O endividamento das famílias na cidade de São Paulo teve um crescimento de 15,2% em um ano e atingiu 2,84 milhões de famílias na capital paulista, ou 71,3% dos lares, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) e obtida com exclusividade pela Jovem Pan. Em números absolutos, isso representa quase 620 mil famílias a mais com dívidas em quase um ano, já que em novembro de 2020 o porcentual de endividados estava em 56,1%. As principais causas para esse crescimento, de acordo com os autores do levantamento, são o crescimento da inflação, o baixo desempenho da economia e o desemprego ainda em níveis altos.

Ao todo, 74% das famílias que recebem até 10 salários mínimos estão endividadas e 63% das que recebem mais de 10 salários mínimos também contraíram dívidas, o que representa os maiores números da série histórica da Fecomercio-SP. A alta em outubro de endividados é 11ª consecutiva em São Paulo. A maior parte das famílias tem dívidas financiadas no cartão de crédito, 82,6%, número que representa um crescimento de 12,6% em um ano (desde outubro de 2020). Os carnês são destaque nas compras parceladas (22%, maior porcentual desde março de 2015).

Já a inadimplência teve aumento de 19% em setembro para 19,7% em outubro, passando de 721 mil famílias para 787 mil. O número não está fora da série histórica da pesquisa, que começou em 2004, mas é o maior desde abril de 2020. A maior parte das famílias inadimplentes demonstra intenção de quitar os débitos — apenas 7,1% do total acredita que não poderá pagar as dívidas, menor patamar desde janeiro de 2018. A pesquisa também apontou que a confiança do consumidor está em baixa: caiu 4,6% e voltou para 109,4 pontos (a escala vai de 0 a 200). Por outro lado, o índice de consumo das famílias teve um ligeiro crescimento de 0,4% e atingiu 71,7 pontos (a escala também vai de 0 a 200). Foram ouvidos 2,2 mil consumidores na capital paulista.