Escolas estudam estender parcelas da anuidade para acomodar famílias afetadas pela pandemia

53% das instituições privadas de ensino fundamental e médio planejam reajustar as mensalidades e as matrículas entre 7% e 10% em 2022; sindicato orienta que mais facilidades de pagamento sejam oferecidas

  • Por Jovem Pan
  • 03/01/2022 08h37 - Atualizado em 03/01/2022 18h29
LEANDRO FERREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Professora dá aula presencial para crianças 53% das escolas de ensino fundamental e médio devem reajustar as mensalidades e matrículas

A inflação de 2021 pressiona alta de preço no início de 2022. Nas escolas particulares, um dos principais custos é o salário dos professores, que é reajustado pelo INPC. Uma pesquisa nacional recente mostrou que 53% das escolas de ensino fundamental e médio planejam aumentar as mensalidades e as matrículas entre 7% e 10%. O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro da Silva, concedeu uma entrevista ao vivo para o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, para comentar a situação. Segundo ele os aumentos serão inevitáveis na maioria das escolas privadas, já que não houve no ano passado e a inflação deve continuar acima de dois dígitos, entretanto o reajuste pode vir acompanhado de mais facilidades de pagamento para as famílias, até que elas se recuperem economicamente dos impactos da pandemia da Covid-19.

“A gente sabe que a pandemia impactou todo o mundo. Não só a escola, como também a família. O que o sindicato tem orientado: às vezes, não dá para dar um reajuste menor e precisa acomodar a família dentro da escola, aumente o número de parcelas do contrato. É cobrado o valor da anuidade, que pode ser dividida em 10, 15, 20 vezes, até que essa família se recupere economicamente. A gente sabe que é bastante difícil esse momento, mas, por outro lado também, se a escola não tiver boa saúde financeira, ela não vai conseguir funcionar”, afirmou Benjamin.

“No ano passado, a grande maioria das escolas já não reajustaram [mensalidade e matrícula], em função da própria pandemia. Não existe escola boa se ela não tiver uma boa saúde financeira. É impossível. A escola não tem nada que a financia, a não ser a mensalidade dos pais, e alguns já não pagam. Desse valor, quase 40% ficam para os impostos, entre taxas, impostos trabalhistas, essa coisa toda. Então, é necessário esse repasse neste ano. Infelizmente, a inflação deve passar dos 10% e já temos um acordo assinado com o sindicato dos professores para repassar o total da inflação no ano que vem para as mensalidades. Então vai ficar muito difícil as escolas não realinharem. Quem vai poder não realinhar é aquela que tem alguma ‘gordura’, que tiver sobrando alguma coisa, ela vai poder não realinhar, o que não é o caso da maioria das escolas. Até o ano 2000, a gente tinha uma clientela na escola particular dentro das classes A e B. De lá para cá, houve uma demanda muito grande de alunos para as classes C, D e E. Essas escolas trabalham com valores muito justos, muito apertados, então, dificilmente, elas vão conseguir não fazer esse reajuste. Até o ano 2000 nós tínhamos 950 mil alunos, hoje nós temos 2,5 milhões de alunos. E esse 1,5 milhão a mais vem das classes C, D e E”, argumentou o presidente do Sieeesp.

Sobre o crescimento do número de casos de Covid-19, em meio à chegada e confirmação da variante Ômicron ao Brasil, o presidente do Sieeesp indicou que a entidade apoia a vacinação de crianças e que orienta que aqueles que possuam comorbidades não retornem ao ensino presencial em um primeiro momento. “A gente é pela ciência. A escola é pela ciência. Nós achamos que as crianças devem ser, sim, vacinadas. Logicamente, a gente não aconselha que volte para a escola aquela criança que tem comorbidade, que tem uma doença mais grave, ela pode continuar fazendo aula online. Mas, a gente sabe da dificuldade que isso tem causado à crianças. temos muitas crianças com problemas psicológicos, problemas de obesidade, em função de não poder ter esse relacionamento social, que hoje praticamente e principalmente nos grandes centros o único lugar que as crianças tem relacionamento social é na escola”, afirmou.