Especial Eleições 2020: Entenda o que faz um vereador

Nas eleições deste ano estão proibidas as coligações para a disputa ao cargo de vereador; para especialistas, a mudança vai melhorar a representatividade no parlamento

  • Por Jovem Pan
  • 08/09/2020 06h01 - Atualizado em 08/09/2020 08h12
Fabio Rodrigues Pozzebon/Agência BrasilPara o cientista político Humberto Dantas, as Câmaras Municipais são mais colaborativas do que fiscalizadoras

Em novembro deste ano os eleitores irão às urnas para escolher o prefeito e os vereadores da cidade onde moram. Os vereadores são representantes do povo, eleitos por meio das eleições proporcionais. Nesse sistema, as cadeiras são distribuídas de acordo com o número de votos recebidos por cada partido. É diferente do que acontece no sistema majoritário, que escolhe os prefeitos, no qual o candidato mais votado é o vitorioso. A Jovem Pan foi às ruas de São Paulo. Será que as pessoas sabem o que faz um vereador? A Ana Martins é autônoma e deu um palpite. “Ah eles fazem leis, vai para não sei onde, é aprovada. Vai na porta de casa e pede voto. Mas o que realmente ele faz?”, questiona. O motoboy Antonio Pereira de Andrade, acha que os parlamentares têm que cuidar mais da cidade. “O vereador, ele tem muita cosia para fazer, mas tem que fazer mais no bairro dele. No bairro dele, ele tem que ver asfalto, estrada, encanamento, ver se o comércio está funcionando”, disse. Mas, afinal, o que fazem os vereadores? É do plenário da Câmara Municipal que eles devem exercer a função primordial que é legislar, o que significa criar, emendas ou extinguir leis. Além disso, estes parlamentares também devem fiscalizar o poder Executivo, principalmente no que diz respeito ao dinheiro público.

O administrador João Madureira deu a resposta certinha. “O vereador ele representa segmentos da sociedade e deveria buscar essas soluções para questões que sejam problemas ou antecipar problemas, buscar questões do município na forma da lei”, explica. Para o cientista político Humberto Dantas, as Câmaras Municipais são mais colaborativas do que fiscalizadoras. “A Câmara Municipal tem um impacto sobre a cidade que é algo assombrosamente gigante. A Assembleia pode ter esse impacto no estado, assim como o Congresso tem a nível nacional. Claro que siso vai variar de governo para governo e de tempo para tempo, mas o poder Legislativo tem muito poder. O poder Executivo tem muito recurso. Se recurso e poder sentam na mesa e negociam, a sociedade precisaria entender isso e precisaria entender qual o papel do Legislativo”, afirma o cientista político.

Nas eleições deste ano, haverá uma mudança significativa em relação às anteriores: estão proibidas as coligações para a disputa a vereador.Dessa forma, dois ou mais partidos não poderão se unir para formar uma chapa única. Segundo o cientista político Hilton Cesario Fernandes, a mudança vai melhorar a representatividade no parlamento. “Se você vota no candidato de um partido que tem uma proposta coerente com aquilo que você acredita, mesmo que você eleja algum outro candidato daquele partido, pelo menos ele estará mais próximo daquilo que você acredita”, afirma. Não é só na representatividade que essa mudança das coligações vai impactar. Para o cientista político neste ano haverá um número recorde de candidatos a vereador. “É uma estratégia do partido lançar mais nomes e quanto mais votos tiver mais chance de ir pelo menos um ou outro.”

*Com informações da repórter Nicole Fusco