França investiga como terrorista atentado perto da sede do Charlie Hebdo

A Al-Qaeda tem ameaçado o jornal depois que charges do profeta Maomé voltaram a ser publicadas no início do mês

  • Por Jovem Pan
  • 26/09/2020 09h11
REUTERS/Gonzalo FuentesApós buscas em um suposto endereço ligado ao principal suspeito, outros cinco homens foram presos sob suspeita de participação

A Procuradoria Antiterrorismo da França abriu investigações sobre o ataque que deixou dois feridos nesta sexta-feira, na mesma rua da antiga sede do Charlie Hebdo em Paris. O órgão apura a “tentativa de assassinato com uma organização terrorista” e “associação criminosa com terroristas”. O autor, um jovem de cerca de 18 anos de origem paquistanesa, foi detido próximo à Praça da Bastilha logo após o ocorrido. A participação de um homem argeliano também é investigada. Após buscas em um suposto endereço ligado ao principal suspeito, outros cinco homens foram presos sob suspeita de participação. As duas vítimas são funcionárias de uma produtora de audiovisual e fumavam cigarros por volta do meio dia quando foram atingidos por uma espécie de faca. Ambos ficaram gravemente feridos, mas não correm risco de vida. A rua em que aconteceu o ataque ficou bloqueada até o fim da tarde e seis estações de metrô da região foram fechadas ao público. Alunos de escolas de três bairros ficaram confinados até três horas depois do ataque.

A Al-Qaeda tem ameaçado o jornal satírico Charlie Hebdo, depois que charges do profeta Maomé voltaram a ser publicadas no início do mês. No dia 2 de setembro, começou o julgamento de cúmplices do atentado contra o jornal e um mercado judeu, em 2015, que deixaram dezessete mortos. O presidente, Emmanuel Macron, não se pronunciou sobre o ataque desta sexta-feira. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, chamou de atentado terrorista e disse que o local símbólico em que ocorreu mostra que a “liberdade de expressão é o alvo”. O Charlie Hebdo condenou o ato e afirmou que o episódio demonstra que o fanatismo e a intolerância ainda estão presentes na sociedade francesa.

*Com informações da repórter Nanny Cox