Governo muda tom e adota cautela em relação a disputa no Oriente Médio

  • Por Jovem Pan
  • 08/01/2020 06h44
Carolina Antunes/PRJair Bolsonaro ressaltou que não houve retaliação por parte do Irã e que as relações comerciais serão mantidas

O presidente Jair Bolsonaro evitou comentar a decisão do governo iraniano de pedir esclarecimentos a autoridades brasileiras sobre o posicionamento oficial do brasil diante dos conflitos no Oriente Médio.

Bolsonaro defendeu de forma clara o combate ao terrorismo, mas o que incomodou o Irã foi a nota divulgada pelo Itamaraty na última sexta-feira (3) em que o Brasil presta apoio a luta contra o flagelo do terrorismo.

No documento, o governo brasileiro criticou o ataque à embaixada dos Estados Unidos em Bagdá — mas não citou o ataque norte-americano.

O presidente discutiu o assunto durante o almoço com o ministro da Defesa, Fernando Azevedo. Bolsonaro explica que só pretende avançar na questão após o retorno ao Brasil do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Jair Bolsonaro ressaltou que não houve retaliação por parte do Irã e que as relações comerciais serão mantidas. “Temos comércio com o Irã e vamos continuar. O Ernesto está fora do Brasil, chegando aqui vou conversar com ele.”

Os militares recomendaram cautela ao presidente Jair Bolsonaro. A avaliação que se faz neste momento é de que a briga não é do Brasil e que, como temos relações comerciais com vários dos envolvidos, o mais indicado é manter silêncio.

Para se ter uma ideia, as exportações brasileiras para o Irã, em 2019, somaram R$ 9 bilhões — e teve crescimento superior a 50% nos últimos anos. Os iranianos compram milho, carne bovina e carne de soja do Brasil.

*Com informações da repórter Luciana Verdolin