‘Havia um movimento para blindar a ida de governadores e prefeitos à CPI’, diz senador

Marcos Rogério espera que convocação das autoridades seja ‘fruto do amadurecimento’ dos parlamentares, não uma estratégia ‘às avessas’ para proteger Estados e municípios

  • Por Jovem Pan
  • 26/05/2021 08h44 - Atualizado em 26/05/2021 10h07
Jefferson Rudy/Agência SenadoMarcos Rogério afirma que proposta inicial é ouvir autoridades de Estados e municípios em que há suspeitas de desvios de verbas

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado Federal discute nesta quarta-feira, 25, a convocação de prefeitos e governadores. A proposta é que as autoridades sejam chamadas para depor a respeito da aplicação dos recursos recebidos da União para o enfrentamento da pandemia de Covid-19, sendo, inicialmente, ouvidos representantes de localidades que foram alvos de operações da Polícia Federal ou que apresentam indícios de irregularidades, explicou o senador Marcos Rogério em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan. Segundo ele, a possível convocação das autoridades representa uma mudança na condução da CPI da Covid-19, que, até o momento, direcionou os depoimentos apenas para a atuação do governo federal. Marcos Rogério espera, no entanto, que a votação dos requerimentos não seja uma tentativa de “blindagem às avessas” dos Estados e municípios. “Em uma provocação que fiz ao presidente [Omar Aziz], ele anunciou que faria a convocação. Não se sabe ainda o que está por trás. Havia claramente um movimento para blindar os governadores e prefeitos de compareceram à CPI. Falava-se abertamente, o relator [Renan Calheiros] falava abertamente, o vice-presidente, outros senadores, vi entrevista de um senador da Bahia falando que não chegaria aos Estados e os requerimentos seriam aprovados. E de uma hora para outra muda a posição. Espero sinceramente que seja fruto de amadurecimento, da compreensão de que a CPI precisa fazer o que seja certo, que não seja estratégia de blindagem às avessas.”

O parlamentar defende a oitiva dos governadores e prefeitos, pontuando que foi justamente “por onde passaram bilhões e bilhões de reais do investimento da pandemia“. Embora ressalte que a ideia inicial é convocar representantes de localidades onde há suspeitas de desvios de verbas, contratos fictícios e superfaturamento, Marcos Rogério não descarta a convocação de outras autoridades, como do próprio filho do relator, o governador do Estado de Alagoas, Renan Filho. “Seria no mínimo curioso ver o ímpeto do relator fazendo a oitiva do seu filho”, pontuou, ressaltando a possibilidade. “Tem equipes de consultores do Senado Federal, do Tribunal de Contas, fazendo análise desses dados. A partir dessa análise, pode ser até que outros municípios, que não tenham sido alvo de operações da Polícia Federal, também se justifiquem a convocação, tanto de gestores, secretários, prefeitos ou governadores. Não significa que a CPI avance nesse primeiro momento com relação a Estados e municípios que houve ações da PF e pronto, acabou. Pode ser que avance para outros, vai depender de análise dos documentos”, completou, destacando que “não cabe blindagem” no colegiado. “Se há suspeitas, se houve operações da Polícia Federal e houve suspeitas a partir da análise dos documentos, há de ser convocado.”