Impacto da pandemia em alunos será prolongado, prevê Todos pela Educação

Segundo especialista, efeitos não estão voltados apenas para a área de aprendizagem e também envolvem questões sociais e até mesmo físicas

  • Por Jovem Pan
  • 14/08/2021 07h03
JOSé ALDENIR/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDOAlunos deverão ser afetado a longo prazo por causa da pandemia

O impacto da pandemia na educação será sentido pelos próximos anos após a longa permanência dos alunos fora das escolas e a desigualdade social do país na tentativa de resposta com o ensino à distância, avalia o diretor executivo do Todos Pela Educação, Olavo Nogueira Filho. “Os efeitos são de múltiplas naturezas, então não são apenas do ponto de vista educacional, de aprendizagem, propriamente dita. A gente está falando de efeitos emocionais, de efeitos sociais, em algumas ações, de efeitos físicos. A gente já sabe que são impactos que terão repercussão duradoura e a gente também já sabe que são efeitos que incidem de maneira mais forte nas populações mais vulneráveis, nos estudantes mais pobres. Isso significa que precisamos de uma ação mais vigorosa, mais contundente, em um curtíssimo prazo, e também um olhar de médio e longo prazo para enfrentar o desafio que foi posto”, opinou.

Em agosto, os estudantes retornaram às aulas presenciais no estado de São Paulo, nas redes particular e pública, com regras de distanciamento nas salas, mas ainda com a permissão aos pais da possibilidade de manter as crianças à distância. Olavo Nogueira Filho analisa a recuperação didática possível ainda em 2021. “É fundamental a gente entender que uma resposta à altura deste cenário que se impôs só pode ser dada nas aulas presenciais. O ensino remoto tem um papel emergencial, mas não pode ser entendido como um substituto à aula presencial, muito menos em um país como o Brasil, no qual o alcance do ensino remoto foi um tanto limitado. O que a gente tem que trabalhar, o que a gente tem que buscar criar condições o mais rápido possível, é para o retorno às aulas presenciais, ainda de maneira gradual, mas com segurança e com uma resposta efetiva”, afirmou. As redes municipal e estadual de São Paulo programam reforços para reduzir o déficit educacional gerado na pandemia. A secretaria da Educação paulista pretende obrigar o retorno presencial de todos os estudantes a partir de setembro.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos