‘Impeachment de Bolsonaro já é um assunto superado’, avalia líder do governo na Câmara

Para Ricardo Barros, o processo de afastamento de um presidente prejudica o governo e os brasileiros

  • Por Jovem Pan
  • 27/01/2021 10h13 - Atualizado em 27/01/2021 12h06
Marcelo Camargo/Agência BrasilO líder do governo na Câmara dos Deputados negou que haja possibilidade do tema avançar após as eleições no Congresso Nacional

O deputado federal Ricardo Barros (PP) garantiu que o debate sobre impeachment do presidente Jair Bolsonaro já é um “assunto superado”. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o líder do governo na Câmara dos Deputados negou que haja possibilidade do tema avançar após as eleições no Congresso Nacional e afirmou que não há qualquer motivo para pensar em afastamento do chefe do Executivo. “O assunto está presente justamente por causa da eleição na Câmara. O atual presidente Rodrigo Maia tem todas as condições de avaliar o processo de impeachment. Já disse que não fará, que não vai abrir nenhum impeachment contra o presidente e o candidato Arthur Lira, franco favorito para vencer as eleições, claro que vai analisar, mas não tem intenção de abrir impeachment. Isso paralisa o país, já assistimos isso várias vezes , é um processo muito demorado, prejudica o governo e prejudica as pessoas do Brasil. Não há motivo nenhuma para impeachment, não tem motivo para que esses 50, 70, 100 pedidos tenham que prosperar. Nesse sentido, que nós entendemos que este o assunto está superado.”

Segundo Barros, a discussão sobre possível abertura do processo de impeachment de Bolsonaro ganhou força após a presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada federal Gleisi Hoffmann, cobrar uma declaração de Baleia Rossi (MDB), candidato ao cargo na mesa diretora da Câmara, sobre o tema. “Ele [Rossi] não nega e também não confirma, houve esse movimento, mas hoje se você olhar a primeira página de todos os jornais de circulação nacional não tem mais o assunto impeachment em pauta”, afirmou o deputado. A declaração do líder do governo, no entanto, acontece um dia após lideranças religiosas publicarem pedido de afastamento do presidente. Ao todo, 380 assinaturas compõem o documento que considera crime de responsabilidade de Bolsonaro frente à pandemia da Covid-19 e o “desprezo pela vida”. Para Ricardo Barros, não houve qualquer omissão, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) “esvaziou” o presidente de qualquer liderança.

“Naquele momento a ideia do Supremo era esvaziar a liderança do Bolsonaro sobre o processo de condução [da pandemia]. Quando dá errado quer que ele responda. O STF vendo a bobagem que cometeu tenta dar interpretação diferente da sua decisão anterior, mas foi claro, é só ver as notícias em que o Supremo tomava do governo a liderança do combate à Covid-19. Quando o governador Doria mandou fechar as praias alguns prefeitos não fecharam, quando houve decisão nacional sobre determinadas questões do isolamento, estados e municípios não seguiram.  O ministro da saúde faz a política de atendimento à saúde, mas não a executa. Quem a executa não tem que seguir a regra do poder central”, disse, reforçando que não há omissão do governo federal no combate à pandemia e minimizando que possíveis pressões partidárias possam ampliar o debate sobre o impeachment.