‘Instalação da CPI do MEC na frente de outras comissões é desrespeito ao Senado’, diz parlamentar

Segundo Plínio Valério, Rodrigo Pacheco deve respeitar a ordem cronológica de pedidos de investigação: ‘Não vou tolerar mais uma vez ser atropelado’

  • Por Jovem Pan
  • 05/07/2022 08h58 - Atualizado em 05/07/2022 11h25
Roque de Sá/Agência Senado Plínio Valério Plínio Valério

Lideranças no Senado Federal se reúnem nesta terça-feira para definir a instalação da CPI do MEC, que deve apurar denúncias de corrupção na Educação. Apesar disso, os senadores bolsonaristas pressionam para que sejam abertas primeiro outras comissões na casa, respeitando a ordem cronológica. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) é autor de um requerimento para que seja respeitada a ordem temporal de pedidos de CPIs e reforça sua solicitação pela instalação da CPI das ONGs da Amazônia. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, desta terça, Valério afirmou que a instalação da CPI do MEC na frente de outras comissões é desrespeito ao Senado.

Eu espero que ele [o presidente do Senado] não instale agora, mesmo querendo a CPI das ONGs, e vou exigir isso. É um desrespeito a 81 senadores, acima de tudo ao Senado Federal, quando um presidente resolveu obedecer uma simples ameaça de ida ao Supremo Tribunal Federal. Randolfe ameaça ir ao STF de novo. Na época da Covid, eu reclamei, mas parei, porque era Covid-19. Mas agora não tem como aceitar e não tem como justificar. O nosso relatório foi apresentado em 5 de março, lido em 19 de março de 2019, portanto não tem como. Não existe senador menor, senador maior. É uma casa dos iguais. Eu não sei qual a desculpa que o Rodrigo daria para a imprensa e para mim por não instalar a CPI das ONGs. O bom senso indica que deve ser depois das eleições, porque, notadamente, eles vão usar essa CPI do MEC para fazer palanque eleitoral. E não é legal. O Senado está vazio. Quanto a essa questão de querer participar, lógico, vai ter senador mais interessado em participar da CPI do MEC porque vai ter todo o foco. E na CPI da Amazônia somos nós amazonas que sofremos esse descalabro há décadas e queremos a instalação e apuração dessa denúncia”, afirmou o senador.

Questionado se também pretende ir ao STF contra a abertura da CPI do MEC, o Plínio Valério negou a possibilidade, mas disse que deverá tomar outras atitudes políticas para expor porque o presidente do Senado estaria agindo pela abertura de uma comissão e não por outra. “Aí, sim, a gente tem que tomar outras medidas, mesmo que tenha que expor o Senado”, disse. Plínio Valério ainda afirmou que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) tem medo que a oposição vá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para exigir a instalação da investigação na Educação e que estaria cedendo a pressões.

“A questão do Supremo é uma sombra que está sobrevoando o Senado e que a gente precisa tirar de vez. A gente precisa passar um recado urgente para a sociedade brasileira de que o Supremo, ao contrário do que está acontecendo, não manda no Senado. Eu acho que a simples ameaça do Randolfe [Rodrigues] ir ao Supremo para instalar a CPI do MEC ignorando as outras seria um atestado de que o Senado está virando um puxadinho do Supremo. E a gente tem que protestar contra isso. Oportunidade a gente tem. Vai instalar a CPI do MEC por receio de alguma coisa? Beleza. Instala também a que está no gatilho. Ou melhor, instala primeiro a que está na vez para depois instalar a CPI do MEC”, disse Valério.

Especificamente sobre a CPI das Ongs da Amazônia, o senador afirmou que há diversas denúncias para serem investigadas e que, atualmente, não seriam apuradas por nenhuma instância. “Há denúncias de contrabando, tem muita denúncia que a gente precisa apurar e tirar a limpo os números, tem denúncia de que somente uma ong recebeu R$ 460 milhões em 2017. Nós da Amazônia precisamos tirar isso a limpo em nome do Brasil para que o povo e o mundo entenda que está sendo explorada. O europeu quando dá aquele dinheirinho, ele está bem intencionado, mas os caras não estão bem intencionados, só nos prejudicam. E são os mesmos que vão lá fora denegrir a imagem da Amazônia. Portanto, a CPI das Ongs é tão ou mais necessária que a CPI do MEC, que está sendo apurada pela Polícia Federal, Ministério Público, enquanto nós da Amazônia ninguém está cuidando. Então, como senador do Amazonas, eu estou tentando fazer isso. Não vou tolerar mais uma vez ser atropelado”, afirmou.