Justiça torna Filipe Martins, assessor da Presidência, réu por gesto racista

Ele vai responder por ter praticado e induzido discriminação e preconceito de raça, pode pagar uma multa de R$ 30 mil, perder o cargo público e até ser condenado à prisão

  • Por Jovem Pan
  • 24/06/2021 07h58 - Atualizado em 24/06/2021 09h22
Reprodução/TV SenadoEm sessão do Senado Federal, em março, Martins estava sentado atrás do presidente da Corte, Rodrigo Pacheco, quando fez um gesto com as mãos

A Justiça Federal de Brasília aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o assessor da Presidência da República para assuntos internacionais, Filipe Martins. Durante uma sessão do Senado Federal, em março, Martins estava sentado atrás do presidente da Corte, Rodrigo Pacheco, quando fez um gesto com as mãos, que segundo o MPF, imitaria as letras W e P, significando White Power em inglês, ou “Poder Branco”, em português. A atitude é classificada pela Liga Antidifamação, entidade com sede nos Estados Unidos que combate o antissemitismo, como forma de identificação entre supremacistas brancos. Agora, Martins vai responder por ter praticado e induzido discriminação e preconceito de raça e pode até ser condenado à prisão. Ele também pode ter de pagar multa de R$ 30 mil e perder o cargo público. De acordo com o Ministério Público, Filipe Martins difunde ideias “extremistas” e agiu “de forma intencional”, tendo “consciência do conteúdo, do significado e da ilicitude do seu gesto”.

Na ocasião, o advogado João Vinícius Manssur, que representa o assessor, disse em nota que a acusação não tinha embasamento, alegando que “a história de vida de Filipe Martins e suas lutas pelas liberdades públicas e pelos direitos fundamentais caminham a seu favor”. Ao analisar o caso, o juiz Marcus Vinícius Reis Bastos citou o relatório policial, um laudo pericial e vídeos da cena como os indícios de crime para justificar a decisão. O magistrado determinou ainda que o assessor seja citado para responder à acusação em 10 dias. A defesa de Filipe Martins pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que ele não seja interrogado sobre a denúncia de racismo, durante depoimento nesta quinta à CPI da Covid-19. Ele é apontado como um dos membros do chamado “gabinete paralelo” que aconselhava Jair Bolsonaro a defender drogas sem eficácia contra a Covid-19 durante a pandemia.

*Com informações da repórter Letícia Santini