Liberado pela Anvisa, coquetel contra a Covid-19 não tem prazo para chegar ao Brasil

Aprovada pela agência reguladora nesta terça-feira, a combinação de medicamentos é indicada para pacientes com casos leves da doença e que não necessitam de suporte de oxigênio

  • Por Jovem Pan
  • 21/04/2021 06h28 - Atualizado em 21/04/2021 14h45
Reprodução/PixabayO novo tratamento deve ser avaliado agora pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, vinculada ao Ministério da Saúde, antes entrar em uso

A Roche diz que ainda não há previsão para o coquetel contra a Covid-19, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta terça-feira, 21, chegar ao Brasil. As negociações entre a farmacêutica e o Ministério da Saúde estão em andamento, mas nem mesmo o custo foi definido. Com aval para uso emergencial no país, o coquetel é uma combinação de dois anticorpos experimentais, o casirivimabe e o imdevimabe. A indicação é para casos leves, em pacientes a partir de 12 anos e peso mínimo de 40 kg, que não necessitam de suporte de oxigênio. O Gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, afirma que o objetivo do tratamento é neutralizar o vírus, evitando uma piora do quadro. “A indicação do produto não é para a pessoa que já está na hospitalização. Ao contrário, estamos colocando como restrição para pessoas que já estão em hospitalização. Pelo que vimos nos casos, as pessoas podem ter agravado o quadro se for utilizado em paciente já hospitalizado. A ideia é utilizar essa infusão até 10 dias após o início dos sintomas nas pessoas que são grupo de risco que nós elencamos, pessoas que têm comorbidades ou idade avançada”, disse.

O diretor de Acesso e Médico da Roche, Lenio Alvarenga, ressalta que o coquetel não previne a doença, tendo a aplicação restrita aos hospitais, ambulatórios ou clínicas. “A medicação é de uso hospitalar, ela precisa ser infundida por meio da veia do paciente, a indicação precisa ser feita por um médico, que vai não só avaliar o diagnóstico do paciente, mas também o tempo de sintomas e se ele corresponde ou não aos fatores para enfrentar um caso grave da doença. Não é uma medicação que esteja disponível nas farmácias”, pontuou. O novo tratamento deve ser avaliado agora pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, vinculada ao Ministério da Saúde, antes de entrar em uso. O coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 em São Paulo, João Gabbardo, adianta que o Estado vai esperar uma diretriz da pasta antes de qualquer negociação. “No momento que a Conitec aprova que esse medicamento passe a fazer parte da lista de medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, São Paulo fará a aquisição do medicamento. Nesse momento, vamos aguardar que haja a aprovação pela Conitec”, afirmou. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, também é preciso “analisar o impacto orçamentário” da implementação do coquetel no sistema de saúde.

*Com informações da repórter Letícia Santini