Mães pressionam por volta às aulas em São Paulo e ameaçam recorrer à Justiça

Elas pedem que a Prefeitura siga o Plano São Paulo, planejamento do Estado para a reabertura das atividades

  • Por Jovem Pan
  • 30/11/2020 09h10 - Atualizado em 30/11/2020 10h48
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO - 12/03/20Segundo o médico Fabio Jung, não há justificativa para que o comércio, bares e restaurantes estejam abertos e as escolas, não

Angústia que não se sabe quando terá fim. O ano de 2020 está acabando e a dúvida permanece: será que no ano que vem as aulas vão voltar ou isso só vai acontecer quando houver uma vacina? A cuidadora Lívia Pimentel é mãe de um menino de 9 anos que está matriculado na rede municipal de ensino. Segundo ela, desde que a pandemia do coronavírus chegou e as aulas foram suspensas, o menino vive angustiado. “Ele pega os livros, os lápis, ele rabisca, chora e fala: ‘Mãe, quando vou voltar a estudar? Quando vou voltar para a escola? Tô com saudades da escola’ então aquilo mexe comigo”, completou. Pensando nisso, pais e mães que têm filhos em escolas da rede públicas e privada vão entrar com uma ação popular nesta segunda-feira, 30, para o retorno das aulas na cidade de São Paulo. Eles pedem que a Prefeitura siga o Plano São Paulo, um planejamento do governo do Estado para a reabertura das atividades durante a pandemia. O governo estadual, no entanto, deu autonomia para que cada cidade paulista decida em relação a volta às aulas.

A administradora Lana Romani é uma das líderes do movimento. “A gente não pode permitir que seja legal e autorizado fazer festa até 600 pessoas, por exemplo, e as crianças não terem aula. Isso é uma inversão de valores que não pode continuar acontecendo”, disse. Mãe de três filhos, a advogada Vera Vidigal também apoia a volta às aulas. “O que está acontecendo aqui é que nós, como população, estamos deixando acontecer uma situação em que todos os setores da economia estão abertos, menos educação. Os efeitos deletérios disso são enormes. Uma verdadeira geração de jovens que já perderam um ano de escola presencial e estão correndo o risco de perder a segunda.”

De acordo com o médico Fabio Jung, não há justificativa para que o comércio, bares e restaurantes estejam abertos e as escolas, não. “Então, criança é muito menos provável de adoecer. Se adoecer, é menos provável que no caso da gripe de ter uma complicação mais grave ou mesmo óbito. Nos Estados Unidos, pelo dado do CDC, até o fim de outubro houve praticamente 40% mais óbitos em crianças de 0 a 14 anos por gripe do que por Covid-19.” Jung ressalta também que a saúde mental das crianças é comprometida com o distanciamento social. “No caso de crianças com condições psicológicas preexistentes, 83% reportam piora durante a pandemia. Um estudo prévio mostra que até 30% das crianças nessa situação de quarentena e sem escola desenvolvem sintomas compatíveis com síndrome de estresse pós traumático”. Uma pesquisa feita com mais de 400 escolas particulares que reabriram no Estado de SP mostrou que 87% desses colégios não identificaram nenhum caso de Covid-19 entre os alunos.

Já entre os professores, 73% não relataram infecções. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Escolas Particulares e o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado. Enquanto as aulas não voltam, a Lívia Pimentel tenta diminuir a ansiedade do filho. Está sendo muito difícil porque ele pensa que é amanhã. E quando chega amanhã ele me pergunta novamente: ‘Mãe, e a escola?’. Eu falo: ‘Filho, aguarda mais um pouco, o momento vai voltar'”, finalizou. A Prefeitura de São Paulo disse que, entre os meses de agosto e setembro, realizou um inquérito sorológico com alunos de 4 a 14 anos nos ensinos municipal, estadual e particular. O estudo mostrou uma prevalência em 16% da crianças, sendo que 65% dos casos eram assintomáticos. Além disso, foi apontado também que 25% dos alunos residem com pessoas maiores de 60 anos — que são grupo de risco para o coronavírus. O estudo também mostrou uma baixa taxa de contaminação entre os professores (7,8%) que certamente se ampliaria a partir do convívio com as crianças nas escolas.

*Com informações da repórter Nicole Fusco