Mandetta nega falta de recursos para combate à Covid-19 no Amazonas

Em depoimento no Senado, ex-ministro da Saúde falou sobre um possível novo colapso na saúde com a infantilização da doença e esclareceu ações adotadas para combate à pandemia

  • Por Jovem Pan
  • 05/05/2021 07h44 - Atualizado em 05/05/2021 10h05
Edilson Rodrigues/Agência SenadoLuiz Henrique Mandetta defendeu inúmeras vezes a testagem em massa, estratégia que, segundo ele, foi abandonada após a demissão

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que não deu recomendações para cancelar o carnaval porque não havia recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) na época da festa. Ex-titular do governo deu a declaração durante depoimento nesta terça-feira, 4, à CPI da Covid-19, no Senado Federal. Ele criticou a demora da entidade em reconhecer a gravidade da situação. “Esses 45 dias de espera por essa sentença: olha é um vírus rápido. A Itália cair, a França cair, a Alemanha cair, a Inglaterra cair em intervalo de 15 dias, aí que o mundo foi apresentado à doença. A minha crítica é porque acho que levaram muito tempo para fazer isso. Nós poderíamos ter organizado muito melhor o mundo inteiro”, disse. Luiz Henrique Mandetta negou que tenha tido falta de recursos federais para o Amazonas durante a primeira onda de coronavírus.

“Não houve falta de dinheiro e eles tomaram as decisões das compras de seus equipamentos. Falava com um secretário, daqui a pouco me ligava ‘foi demitido aquele’, daí entrou uma secretária que não conhecia a rede. Ali me parece que vocês terão que fazer uma imersão própria, porque aquilo não se repetiu em outras unidades federativas”, disse, afirmando que não partiu da Saúde a ordem para aumentar a produção de cloroquina no laboratório químico e farmacêutico do Exército. Segundo ele, as ações do ministério sempre foram baseadas na ciência, não na política. “Todas as recomendações as fiz com base na ciência, vida e proteção”, afirmou o ex-ministro Mandetta, alertando que pode acontecer um novo colapso no sistema de saúde. “Se acontecera infantilização da doença, que pode ser o capítulo final da pandemia, quando você pressiona de cima para baixo e o vírus começar a ficar muito transmissível de 0 a 20 anos e começar a elevar crianças em casos graves, o número de unidades de terapia intensivas pediátricas, no Brasil, é muito baixo, vamos ter outro colapso para infância e adolescência.”

Durante a sessão da CPI, Luiz Henrique Mandetta defendeu inúmeras vezes a testagem em massa, estratégia que, segundo ele, foi abandonada após a demissão. Questionado sobre vacinas, o ex-titular da Saúde destacou que a imunização pode ser acelerada e citou uma campanha feita em 2020. “Nós conseguimos antecipar um prazo com o Butantan para que não tivéssemos a coincidência de uma epidemia de gripe com uma epidemia  de coronavírus. E nós aplicamos um recorde de 80 milhões de doses em 34 dias. Havendo necessidade, o SUS é o melhor sistema para aplicar as vacinas, basta tê-las.” Nesta quarta-feira, 5, os integrantes da CPI devem apreciar a convocação do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do ministro da Justiça, Anderson Torres.

*Com informações da repórter Nanny Cox