Mourão quer levar embaixadores europeus à Amazônia

Na visão do vice-presidente, parte da opinião pública mundial tem uma leitura equivocada em relação à preservação ambiental no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 17/09/2020 05h10 - Atualizado em 17/09/2020 08h13
Romério Cunha/VPRO vice-presidente disse que desconhecia que os dados sobre queimadas e desmatamento divulgados pelo Inpe são públicos e acessíveis

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, disse que planeja levar, no final de outubro, embaixadores europeus e de outros países à Amazônia. A iniciativa é uma reação a uma carta em que oito países, incluindo Alemanha, França e Reino Unido, afirmam que o desmatamento em alta dificulta os negócios com o Brasil.  Na quarta-feira, 16, Mourão, que preside o Conselho da Amazônia, se reuniu com autoridades, como os ministros Ricardo Salles e Tereza Cristina, para discutir uma reação à manifestação dos europeus. Em evento do Núcleo de Estudo Luso-Brasileiro, o vice-presidente voltou a dizer que parte da opinião pública mundial tem uma leitura equivocada do Brasil em relação à preservação ambiental.“Infelizmente, parte do mundo tem por vezes uma visão distorcida sobre o desmatamento ilegal e queimadas na Amazônia. Não negamos ou escondemos informação sobre a gravidade da situação, mas também não aceitamos narrativas simplistas e distorcidas”, disse ele.

Na terça-feira, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne representantes do agronegócio e de ONGs ligadas ao meio ambiente, apresentaram ao governo seis propostas para reduzir o desmatamento. André Guimarães, representante da coalizão, diz que o mundo está de olho na forma como o governo lida com a questão da Amazônia. Mourão também se reuniu com o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Darcton Policarpo Damião. O vice-presidente disse que desconhecia que os dados sobre queimadas e desmatamento divulgados pelo Inpe são públicos e acessíveis. Ele negou qualquer intenção de esconder ou modificar a forma de divulgação. O vice-presidente também pediu ao presidente do instituto que, além dos dados quantitativos, seja feito um relatório qualitativo sobre as queimadas. Na visão dele, essa análise, no entanto, não deve ser aberta, por se tratar de uma informação de inteligência. O general não descarta utilizar o levantamento para mostrar a situação da Amazônia à comunidade internacional e à imprensa.

*Com informações do repórter Afonso Marangoni