Mourão isenta Bolsonaro por derrota de aliados: ‘Não entrou de cabeça nessa eleição’

O vice-presidente lembrou que o mandatário está sem partido e, por isso, fica difícil participar do pleito

  • Por Jovem Pan
  • 17/11/2020 05h22 - Atualizado em 17/11/2020 10h17
Romério Cunha/VPRO vice-presidente elogiou, nesta segunda-feira, 16, o processo eleitoral brasileiro

O vice-presidente da república, Hamilton Mourão, afirma que os partidos de “centro tradicionais foram os grandes vencedores” do primeiro turno das eleições municipais. Segundo o general, o presidente Jair Bolsonaro não tem relação com o desempenho frustrante da maioria dos candidatos que ele apoiou. Mourão avalia que o enfraquecimento da chamada nova política é uma realidade no país, mas acredita que o movimento conservador ainda tem força. “Não pode se debitar nada em relação ao presidente Bolsonaro, porque ele não entrou de cabeça nessa eleição. Ele apoiou alguns candidatos aí, muito pouco. Você sabe que o presidente está sem partido e, sem uma estrutura partidária, fica difícil participar de uma eleição.”

O vice-presidente elogiou, nesta segunda-feira, 16, o processo eleitoral brasileiro. “Não podemos comparar o nosso com o processo americano. Mas o nosso processo é muito bom, sem dúvida nenhuma”, disse. A declaração de Mourão, no entanto, vai na contramão do posicionamento de Bolsonaro, que questionou o sistema de apuração. “Se não tivermos uma forma confiável de apurar as eleições, a dúvida sempre vai permanecer”, disse.  O fato é que o resultado das eleições acendeu o sinal de alerta e motivou questionamentos sobre o sistema eleitoral e o processo de apuração. O deputado Eduardo Bolsonaro protocolou um projeto de Lei para restringir a divulgação dos resultados e proibir novos modelos de votação, como à distância, por meio digital ou por carta. A deputada Carla Zambelli saiu em defesa do voto impresso, algo que já foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; e a colega dela, Joice Hasselman, que perdeu a disputa para a prefeitura de São Paulo, colocou dúvidas sobre a segurança e a lisura do sistema.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado