Mourão vê ‘responsabilidade do governo’ e defende cooperação entre países para combater madeira ilegal

Segundo ele, 175 mil m³ de material foram apreendidos pelas autoridades brasileiras apenas neste ano: ‘Precisamos estrangular o comércio’

  • Por Jovem Pan
  • 21/11/2020 07h51
Bruno Batista/ VPRMourão recebeu nesta semana uma carta da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura

O vice-presidente da república, Hamilton Mourão, reconhece que o governo tem responsabilidade em relação ao comércio ilegal de madeira fruto de desmatamento na Amazônia. O general afirma, no entanto, que o Estado, por meio da Polícia Federal, já está fazendo o que pode para tentar coibir o crime. Segundo ele, 175 mil m³ de material extraído de forma ilegal foram apreendidos pelas autoridades brasileiras apenas neste ano. Para tornar o combate ao tráfico de madeira mais eficaz, na avaliação de Mourão, é preciso dificultar o comércio, o que demanda a cooperação de outros países. “A partir do momento que você estrangula o comércio, o cara que corta madeira e está na ponta da linha não consegue vender… É o que estamos fazendo na Operação Verde Brasil, já foram 175 mil m³ de madeira, é madeira que não acaba mais. Você estrangula o comércio, é a mesma coisa que combater o narcotráfico”, disse.

Há alguns dias o presidente Jair Bolsonaro afirmou que divulgaria os nomes dos países que, a partir de investigações da Polícia Federal, são suspeitos de sediarem empresas que compraram madeira ilegal brasileira nos últimos anos. Nesta quinta-feira, no entanto, recuou da ideia, e disse que não quer acusar nenhuma nação de estar cometendo um crime. Para o vice, Hamilton Mourão, de fato é preciso focar o debate em medidas que podem dar resultado. “O presidente ele sabe que que ele está fazendo. Isso aí não adianta fazer uma discussão que não vai conduzir a nada. O que temos que fazer é a nossa parte do lado de cá, e eles a parte deles do lado de lá”, destacou.

Mourão recebeu nesta semana uma carta da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que é um movimento composto por mais de 260 representantes ligados às áreas do meio ambiente, agronegócio, setor financeiro e academia. No documento, a entidade afirma justamente que o governo é um dos principais responsáveis pela criminalidade que domina o mercado de madeira no País, dada a fragilidade das fiscalizações que o poder público realiza no setor.

* Com informações do repórter Antônio Maldonado