Mudar rótulos de alimentos é importante, mas não pode ‘demonizar’ produtos

  • Por Jovem Pan
  • 16/09/2019 07h31
Tânia Rêgo/Agência BrasilAnvisa propôs 'lupa' para alto teor de substâncias

As mudanças nos rótulos dos alimentos são positivas desde que não demonizem os produtos. A nutricionista Rosanita Garcia é quem faz esse alerta após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovar alterações nas rotulagens nutricionais.

De acordo com a proposta, produtos com alto teor de sódio, gordura e açúcar, por exemplo, deverão trazer o desenho de uma lupa na parte frontal das embalagens. Para a tabela de informação nutricional, a agência propõe incluir valores por 100 gramas ou 100 ml do alimento, para permitir comparações.

A nutricionista ressalta que toda informação dada para o consumidor é sempre muito valiosa, mas faz o alerta: “Me preocupa só com relação a isso, que as pessoas fiquem com medo de consumir o alimento, que elas tenham medo de consumir algo porque terá essa lupa. Mas, de certa forma, essa informação é importante, porque a gente sabe que o excesso de sódio, de gordura, de açúcar, não são interessantes para a saúde e podem levar ao ganho de peso.”

A especialista também destaca outra preocupação: que os ingredientes como sódio, açúcar e gordura sejam substituídos por outros que não são tão saudáveis. “Não vai adiantar tirar o açúcar do alimento para continuar vendendo, já que o consumidor vai ficar com um pé atrás, porque esse produto vai ter a lupa alertando que vai ter muito açúcar, tirar esse açúcar e trocar por um adoçante artificial, que faz tão mal para a saúde quanto o açúcar”, explica.

A estudante Maria Clara Santana reconhece que não tem o hábito de ler os rótulos antes de comprar os produtos, mas afirma que, se o alerta dos alimentos com alto teor de sódio, gordura ou açúcar vier na parte frontal, vai ficar mais fácil de identificar.

A proposta apresentada pela Anvisa estabelece critérios de legibilidade das tabelas de informação nutricional para facilitar a leitura. O texto aprovado será submetido à consulta pública antes de nova avaliação pela direção da agência.

*Com informações da repórter Natacha Mazzaro