‘Não posso admitir que cada município tome uma decisão sobre o Carnaval’, diz deputado
Por causa da nova variante Omicron do coronavírus, o Carnaval d2 2022 é dado como incerto e vem preocupando gestores de saúde de todo o país. Entretanto, o setor de turismo pediu uma atenção especial pra evitar uma nova crise financeira. Em entrevista ao vivo para o Jornal da Manhã da Jovem Pan News, o deputado federal Bacelar (Podemos-BA), que preside a comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, falou sobre o assunto, defendendo um consenso nacional em torno da questão. Ele afirmou que, em audiência pública na última quarta-feira, 8, os órgãos públicos pediram a não realização da festa, enquanto o setor de eventos pede a realização de iniciativa privada em espaços privados. Bacelar ainda destacou a importância de haver um consenso entre os municípios brasileiros sobre a realização ou não da festa. Participaram da reunião a secretária especial de combate a Covid-19 do Ministério da Saúde, Anvisa, Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde, Confederação Nacional dos Municípios, secretários estaduais e municipais de Turismo e a Associação Brasileira de Promotores de Eventos.
“O consenso dentre as autoridades públicas, obedecendo ao que eles chamam de ‘Princípio da Precaução’ é que não seja realizado o Carnaval em espaços públicos. Este foi um consenso. Apesar de estarmos avançando na vacinação, apesar das taxas de crescimento [de infecção] terem caído, das taxas de mortalidade estarem baixas, a situação internacional, a disparidade de vacinação, tem regiões que a vacinação está avançada e em outras regiões não, tem municípios que já praticamente vacinaram toda a população, outros municípios ainda com percentual muito baixo. Com toda essa problemática, a posição dos órgãos públicos, tirada na audiência pública, é da não realização. Já o setor privado, o setor de eventos, reclama do que eles chamam de ‘Princípio da Precaução Seletiva’ e defende que haja Carnaval em espaço privado, de iniciativa privada. Mas a comissão de Turismo da Câmara, o que nós defendemos, eu não sou epidemiologista, eu não sou infectologista, eu sou deputado federal, então, sobre esse aspecto, é uma coordenação nacional para tratar desse evento. Nós temos no Brasil mais de 5.400 municípios. Eu não posso admitir que cada município tome a sua decisão isolada, essa não é uma questão local. A gente tem respeitar a autonomia municipal e estadual, mas nós, enquanto políticos, temos que ter articulação necessária para criar um consenso sobre esse assunto”, afirmou.
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Questionado sobre as aglomerações que podem ocorrer no período, independentemente da realização de festas em espaços públicos, apenas pela vontade da população, o deputado Bacelar afirmou que a questão é um problema que surge também na proposta do setor de eventos, já que a realização de festas em espaços privados poderia incentivas e provocar aglomerações no entorno. “Nós temos tido eventos privados em espaços privados, mas é diferente no Carnaval. No espaço privado, você controla o ingresso, a ocupação total, pode exigir o passaporte da vacina e a permanência no evento privado é menor. Ontem, por exemplo, nós tivemos partidas com 50 mil pessoas nos estádios, mas eles ficam ali uma hora e meia, duas horas. No Carnaval não. A pessoa pode sair às 10 horas da manhã e voltar no outro dia, é uma festa que exige o contato físico. Você consegue controlar no espaço privado. Mas e o entorno? Vamos imaginar: faz-se um Carnaval no Leblon. E o Vidigal não vai participar do Carnaval? Esse pessoal não vai estar também querendo estar na rua? Ou uma festa num centro de convenções em Salvador. E o entorno do centro de convenções? A população não vai estar circulando naquele local? Vai sim. Infelizmente, apesar do Carnaval ser importantíssimo do ponto de vista cultural, social, econômico e, inclusive, ser formador do caráter nacional, o Carnaval tem uma contribuição muito grande para isso, de ser um escape psicológico para o nosso estresse diário, mas a vida é mais importante. O que tenho ouvido do Ministério da Saúde, das autoridades da Anvisa, da Confederação Nacional dos Municípios, é um consenso a não realização, infelizmente, desse festejo tão importante”, declarou.