‘Não posso admitir que cada município tome uma decisão sobre o Carnaval’, diz deputado

Bacelar, presidente da comissão de Turismo da Câmara, defende a criação de uma coordenação nacional para tratar do evento de maneira consensual

  • Por Jovem Pan
  • 10/12/2021 09h51 - Atualizado em 10/12/2021 11h50
Gustavo Sales/Câmara dos Deputados Deputado Bacelar Deputado Bacelar, presidente da comissão de Turismo da Câmara dos Deputados

Por causa da nova variante Omicron do coronavírus, o Carnaval d2 2022 é dado como incerto e vem preocupando gestores de saúde de todo o país. Entretanto, o setor de turismo pediu uma atenção especial pra evitar uma nova crise financeira. Em entrevista ao vivo para o Jornal da Manhã da Jovem Pan News, o deputado federal Bacelar (Podemos-BA), que preside a comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, falou sobre o assunto, defendendo um consenso nacional em torno da questão. Ele afirmou que, em audiência pública na última quarta-feira, 8, os órgãos públicos pediram a não realização da festa, enquanto o setor de eventos pede a realização de iniciativa privada em espaços privados. Bacelar ainda destacou a importância de haver um consenso entre os municípios brasileiros sobre a realização ou não da festa. Participaram da reunião a secretária especial de combate a Covid-19 do Ministério da Saúde, Anvisa, Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde, Confederação Nacional dos Municípios, secretários estaduais e municipais de Turismo e a Associação Brasileira de Promotores de Eventos.

“O consenso dentre as autoridades públicas, obedecendo ao que eles chamam de ‘Princípio da Precaução’ é que não seja realizado o Carnaval em espaços públicos. Este foi um consenso. Apesar de estarmos avançando na vacinação, apesar das taxas de crescimento [de infecção] terem caído, das taxas de mortalidade estarem baixas, a situação internacional, a disparidade de vacinação, tem regiões que a vacinação está avançada e em outras regiões não, tem municípios que já praticamente vacinaram toda a população, outros municípios ainda com percentual muito baixo. Com toda essa problemática, a posição dos órgãos públicos, tirada na audiência pública, é da não realização. Já o setor privado, o setor de eventos, reclama do que eles chamam de ‘Princípio da Precaução Seletiva’ e defende que haja Carnaval em espaço privado, de iniciativa privada. Mas a comissão de Turismo da Câmara, o que nós defendemos, eu não sou epidemiologista, eu não sou infectologista, eu sou deputado federal, então, sobre esse aspecto, é uma coordenação nacional para tratar desse evento. Nós temos no Brasil mais de 5.400 municípios. Eu não posso admitir que cada município tome a sua decisão isolada, essa não é uma questão local. A gente tem respeitar a autonomia municipal e estadual, mas nós, enquanto políticos, temos que ter articulação necessária para criar um consenso sobre esse assunto”, afirmou.

Questionado sobre as aglomerações que podem ocorrer no período, independentemente da realização de festas em espaços públicos, apenas pela vontade da população, o deputado Bacelar afirmou que a questão é um problema que surge também na proposta do setor de eventos, já que a realização de festas em espaços privados poderia incentivas e provocar aglomerações no entorno. “Nós temos tido eventos privados em espaços privados, mas é diferente no Carnaval. No espaço privado, você controla o ingresso, a ocupação total, pode exigir o passaporte da vacina e a permanência no evento privado é menor. Ontem, por exemplo, nós tivemos partidas com 50 mil pessoas nos estádios, mas eles ficam ali uma hora e meia, duas horas. No Carnaval não. A pessoa pode sair às 10 horas da manhã e voltar no outro dia, é uma festa que exige o contato físico. Você consegue controlar no espaço privado. Mas e o entorno? Vamos imaginar: faz-se um Carnaval no Leblon. E o Vidigal não vai participar do Carnaval? Esse pessoal não vai estar também querendo estar na rua? Ou uma festa num centro de convenções em Salvador. E o entorno do centro de convenções? A população não vai estar circulando naquele local? Vai sim. Infelizmente, apesar do Carnaval ser importantíssimo do ponto de vista cultural, social, econômico e, inclusive, ser formador do caráter nacional, o Carnaval tem uma contribuição muito grande para isso, de ser um escape psicológico para o nosso estresse diário, mas a vida é mais importante. O que tenho ouvido do Ministério da Saúde, das autoridades da Anvisa, da Confederação Nacional dos Municípios, é um consenso a não realização, infelizmente, desse festejo tão importante”, declarou.