Resolução da ONU condena o racismo sistêmico, sem mencionar EUA

  • Por Jovem Pan
  • 20/06/2020 07h54
EFE/EPA/ETIENNE LAURENTEUA tem sido palco de manifestação anti-racismo e violência policial

O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas aprovou, nesta sexta-feira (20), o pedido por investigações de “racismo sistêmico” e violação dos Direitos humanos da população africana e descendentes.  O documento final pede atenção especial ao assassinato do norte-americano George Floyd por um policial branco, incidente que desencadeou ondas de protestos antirracistas principalmente nos Estados Unidos.

Em um discurso na abertura das discussões, o irmão de Floyd, Philonise, pediu que fosse instalada uma comissão internacional para fazer justiça e ajudar a população preta no país.

A criação de uma Comissão Internacional ficou de fora do texto final, assim como menções diretas aos Estados Unidos. Washington deixou o Conselho em 2018, mas pressionou, por meio de aliados, para que o país não fosse citado nominalmente.  As críticas às menções diretas vieram de representantes de nações como França, Reino Unido e Brasil.

A diretora de programas da Conectas Direitos Humanos, Camila Asano, afirma que ainda há pressão por mudanças no território estadunidense. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, deve apresentar um relatório com dados sobre racismo e violência policial contra africanos e afrodescendentes.

O acordo desta sexta prevê ainda a análise de denúncias de força excessiva contra jornalistas e manifestantes pacíficos.  A diretora de programas da Conectas Direitos Humanos, Camila Asano, afirma que o Brasil deve passar por averiguações.

A proposta foi feita, em caráter de urgência, por países africanos após o assassinato de Floyd e aceito pelos 47 membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

*Com informações da repórter Nanny Cox