Polícia Federal quer bloquear até R$ 1 bilhão do PCC

O esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa era feito por meio de postos de gasolina e de uma distribuidora de combustível

  • Por Jovem Pan
  • 01/10/2020 06h13
MARX VASCONCELOS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Federal (PF) pretende apreender um R$ bilhão do crime organizado brasileiro até o fim deste ano. A declaração foi dada nesta quarta-feira, 30, logo após a corporação desarticular um braço financeiro que opera em favor do PCC (Primeiro Comando da Capital) há mais de dez anos. A Operação Rei do Crime, realizada em São Paulo, Santa Catarina e Paraná interditou mais de 70 empresas e bloqueou, com autorização da Justiça, contas bancárias que superam R$ 730 milhões.

De acordo com a PF, o esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa era feito por meio de postos de gasolina e de uma distribuidora de combustível. O principal alvo da ação é um homem identificado como Alemão, dono de uma rede de postos de combustíveis e que estaria envolvido em outros crimes do PCC. Segundo o delegado da Polícia Federal, Rodrigo de Campos Costa, a investigação durou um ano e meio e começou com a descoberta do envolvimento de Alemão no assassinato de Gêgê do Mangue e Paca, líderes do PCC, em 2018.

Outro alvo da investigação é uma pessoa que foi condenada pelo envolvimento no assalto ao Banco Central do Brasil, ocorrido em Fortaleza, em 2005. Ao todo, treze pessoas foram presas: quatro delas na Bahia e nove na capital paulista. Além disso, 20 pessoas foram indiciadas e devem responder por organização criminosa e lavagem de dinheiro.  Foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão em apartamentos de luxo e empresas: automóveis, motocicletas, helicópteros, iates, joias e outros objetivos de luxo, no valor de 32 milhões, foram apreendidos.

O coordenador-geral de Repressão a Drogas e Facções Criminosas da Polícia Federal, Elvis Secco, afirma que a lavagem de dinheiro deve ser um dos principais focos na luta contra a facção criminosa. Segundo a PF, o crime era cometido de forma sólida, com uso de laranjas e holdings disfarçadas. Dos 110 postos de combustíveis da rede, a investigação identificou que cerca de 50 foram usados no esquema. A Polícia Federal pediu à Justiça, no entanto, que as empresas usadas no crime sigam em funcionamento e passem a ser administradas pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas do Ministério da Justiça. O objetivo é evitar prejudicar a vida dos funcionários e terceiros envolvidos.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini