Policias de confronto na Vila Cruzeiro entregam armas usadas na operação

Pelo menos 23 pessoas morreram durante a ação na comunidade que faz parte do Complexo da Penha; será realizada a perícia de 12 equipamentos

  • Por Jovem Pan
  • 28/05/2022 11h44
Reprodução/Instagram/@policiamilitar_rj Verificado Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro Operação policial realizada em conjunto com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apreendeu armamento na Vila Cruzeiro

As armas dos policiais militares e policiais rodoviários federais que participaram de um intenso confronto esta semana na favela Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de pelo menos 23 pessoas, já estão com a polícia civil para perícia. Os equipamentos foram entregues nesta sexta-feira, 27, e pertencem a nove PMs e três policiais rodoviários federais. Foram esses os agentes que participaram da operação na parte alta da Vila Cruzeiro, uma região de difícil acesso. Eles reconheceram que retiraram do local ao menos dez corpos de vítimas fatais. Naquela operação de terça-feira, 24, no entanto, 23 pessoas morreram, uma delas supostamente atingida por uma bala perdida na favela da Chatuba, vizinha à Vila Cruzeiro. Os moradores relatam que coube a eles próprios socorrer as vítimas e levá-las para o Hospital Getúlio Vargas. Dizem ainda algumas dessas pessoas estavam no local errado, na hora errada e perto também da pessoa errada.

A polícia do Rio de Janeiro agora vai fazer uma perícia técnica nesses armamentos para tentar avançar nessa investigação. A organização aguarda também laudos técnicos do IML para entender o que aconteceu na favela Vila Cruzeiro. Essa é a segunda operação com o maior número de mortos em toda a história da polícia fluminense. Há relatos de moradores de que poderia ter havido excessos, ilegalidades e execuções. Fontes da Jovem Pan no Instituto Médico Legal dizem, porém, que nenhum corpo chegou ao local com marcas de facadas, como sugeriram os moradores da favela Vila Cruzeiro. As facadas seriam uma estratégia, segundo esses habitantes, para não deixar vestígios de uma eventual execução de vítimas na Vila Cruzeiro. Um outro detalhe tem chamado bastante atenção nessa investigação. Momentos antes da operação da Vila Cruzeiro praticamente toda a unidade de polícia pacificadora teve o seu efetivo modificado. Quase 100 agentes da UPP da Vila Cruzeiro foram realocados para uma outra unidade de polícia pacificadora. Recentemente também houve mudança no comando dessa unidade da Vila Cruzeiro, que faz parte do Complexo da Penha.

*Com informações do repórter Rodrigo Viga