Presidente do Banco Central diz que teto de gastos foi ‘âncora’ para o Brasil durante pandemia

Para Roberto Campos Neto, teto ajudou país a enfrentar “desafio da pandemia” com medidas econômicas que deixaram Brasil acima de outros países com situação fiscal frágil

  • Por Jovem Pan
  • 07/10/2020 20h38 - Atualizado em 07/10/2020 20h42
Marcelo Camargo/Agência BrasilCampos Neto falou sobre teto de gastos

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em entrevista ao Jornal da Manhã desta quarta-feira, 7, considerou a imposição do teto de gastos como a razão pela qual o país conseguiu implementar medidas econômicas positivas durante a pandemia do novo coronavírus. “O teto foi exatamente a âncora que permitiu ao país a gastar mais para enfrentar o desafio da pandemia. Porque os agentes entendem que o teto vai retornar”, disse. Ele comparou a condição do Brasil durante a pandemia com a de outros países que tinham situação fiscal frágil e afirmou que eles “tiveram um campo mais restrito” nas criações de medidas. Questionado sobre se falas de lideranças políticas são suficientes para reafirmar o compromisso do governo em manter o teto de gastos, Campos Neto pontuou que a estabilidade fiscal está diretamente ligada à aprovação de medidas econômicas por parte do governo.

“A nossa trajetória de juros está muito ligada à percepção de estabilidade fiscal. As pessoas precisam entender. A gente precisa comunicar isso, que não tem como ter inflação baixa e os juros baixos com o fiscal desorganizado”, avaliou. Ele lembrou que em momentos nos quais o mercado entendeu que o governo era capaz de manter o teto de gastos, o juros caiu. Campos Neto também falou sobre a possível melhoria no custo do crédito em uma situação de pós-pandemia no Brasil. “Quando nós olhamos o crédito que é totalmente livre ele também tem caído. Porque como os bancos estão com muita liquidez e as taxas de juros estão bastante baixas, as instituições estão emprestando a taxas cada vez menores. A competição bancária também tem aumentado”, analisou, lembrando que financiamento imobiliário e outros incentivos indicam que esse momento de crédito “veio para ficar”.

Veja entrevista completa com o presidente do Banco Central abaixo: