Primeira noite da Fase Emergencial em São Paulo tem ruas vazias e transporte lotado

Agentes da polícia circulavam pela capital paulista e alertavam sobre o toque de recolher, que vai das 20h às 5h em todo o Estado

  • Por Jovem Pan
  • 16/03/2021 08h34 - Atualizado em 16/03/2021 14h34
ETTORE CHIEREGUINI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO Para evitar aglomerações no transporte público e ampliar as medidas sanitárias, o governo determinou um escalonamento no horário de entrada de alguns setores

A primeira noite da Fase Emergencial em São Paulo, a mais restritiva até agora, foi de ruas mais vazias em várias regiões da capital. O maior movimento era de trabalhadores de delivery. Viaturas da polícia também circulavam pelas ruas, alertando sobre o toque de recolher, que vai das 20h às 5h. No transporte público, a movimentação de pessoas diminuiu, mas com registros de lotação em horários de pico. Favorável às restrições sanitárias, o Adrian Rodrigo notou ônibus mais vazios ao voltar para casa. “Mudou um pouco. Aqui nesse horário mudou um pouco, porque quando passava aqui era tudo cheio. Estava morrendo gente demais, ainda está morrendo, na verdade. Está tudo complicado, uma coisa muito séria.”

Perto das 20h, a circulação de pessoas no terminal Parque Dom Pedro, um dos maiores da capital paulista, era tranquila. No entanto, ao longo do dia, parecia uma segunda-feira comum. Ainda que com um movimento menor por causa das restrições, alguns ônibus continuaram lotados, com passageiros viajando em pé e aglomerações nas catracas. Após sete meses desempregada, Ana Paula da Silva começou a trabalhar justo no primeiro dia da fase mais restritiva. Emocionada, ela diz que entende as medidas para conter o coronavírus, mas que não é todo mundo que pode ficar em casa neste momento. “Queríamos ficar com os nossos filhos? Queríamos. Nós corremos riscos? Corremos. Mas a gente tem que lutar para sobreviver. Ou morre de coronavírus ou de fome, então é melhor você trabalhar e entregar para Deus. É lamentável essa situação, tem gente que não tem o que comer, é muito triste.”

Para evitar aglomerações no transporte público e ampliar as medidas sanitárias, o governo determinou um escalonamento no horário de entrada de alguns setores para diminuir o fluxo de passageiros em trens e ônibus. Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, esse sistema precisa ser aprimorado. “Nós estamos trabalhando com setores que concentram maior contingente de funcionários para aplicarmos suas propostas de escalonamento. Já temos a proposta oficial da Associação dos Supermercados, temos também uma discussão na fase final com as responsáveis por empresas de call centers e com a indústria. Esses foram os três primeiros setores que priorizamos porque concentram um grande contingente de funcionários”, afirmou. Em nota, a SPTrans afirmou que, na última semana, a primeira desde que o estado voltou à Fase Vermelha, a demanda de passageiros nos ônibus foi de 52% em relação ao que era registrado antes da pandemia. Uma semana antes, entre os dias 1 e 5 de março, esse índice era de 61%.

*Com informações da repórter Letícia Santini