Prioridade de vacinas para Manaus não é a melhor estratégia, avalia especialista

Na sexta, Eduardo Pazuello afirmou que a capital do Amazonas vai receber mais doses da vacina de Oxford

  • Por Jovem Pan
  • 25/01/2021 10h10
EFE/EPA/OXFORD UNIVERSITYCerca de 25% das vacinas transportadas no mundo são comprometidas devido à má gestão da temperatura

A estratégia de priorizar a vacinação em estados ou municípios que estão enfrentando colapso no sistema de saúde pode não ser a mais adequada. É o que afirmam especialistas na área. Na sexta-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que Manaus terá prioridade nas doses da vacina de Oxford/AstraZeneca que chegaram ao Brasil. O infectologista e presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, Renato Kfouri, destaca que a vacina é importante, mas que não resolve o problema de lugares como o Amazonas imediatamente.

“As vacinas vem para trazer algum impacto daqui, dois, três quatro meses. Você não vai modificar o curso da pandemia com as vacinas. E nem impactar a mortalidade com esse quantitativo. O que deveria ter sido feito em Manaus não são programas de prevenção, é assistência adequada.” Para o especialista, além da necessidade urgente de leitos e insumos para resolver casos como o de Manaus, também é necessário muito planejamento as futuras entregas de vacina. De acordo com relatório de 2019 da Associação Internacional de Transporte Aéreo, cerca de 25% das vacinas transportadas no mundo são comprometidas devido à má gestão da temperatura.

O especialista em Imagem de Geossistema, Gabriel Moraes, explica que desperdícios podem ser evitados se a distribuição for feita em conjunto com o Sistema de Informações Geográficas. “Quando você tem a possibilidade identificar quais as população que se encontram em risco e locais em que as vacinas serão aplicados e a infraestrutura que existe, você tem como planejar a logística de maneira mais efetiva.” Atualmente, o Brasil tem 12 milhões de doses de vacinas, entre imunizantes do Instituto Butantan e da Astrazeneca, para distribuição. Com esse montante, é possível imunizar seis milhões de pessoas.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini