Queimadas no Pantanal colocam em risco a saúde da população local

Além de problemas respiratórios, a fumaça pode favorecer a incidência de câncer

  • Por Jovem Pan
  • 15/10/2020 05h30 - Atualizado em 15/10/2020 07h43
REUTERS/Amanda PerobelliA chefe de Biodiversidade da Fundação Oswaldo Cruz, Márcia Chame, alerta para a situação dos animais

As intensas queimadas no Pantanal trazem alerta para os riscos à saúde da população local, que pode se agravar nos próximos meses. Além de problemas respiratórios, a fumaça favorece a incidência de câncer. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 14% do bioma foi destruído apenas no mês de setembro. Em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 14, o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto, citou que todas as esferas de poder têm responsabilidade e ressalta que falta um plano de gestão de risco ao Pantanal. “É fundamental que o Estado brasileiro, municipal, estadual e federal, planeje e realize ações de vigilância em saúde para prevenção de doenças e agravos e promoção da saúde da população afetada.”

O assessor técnico Leonardo Vilela, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, alerta que a qualidade do ar é a pior possível e lembra que os registros de queimadas desse ano no país superaram o recorde de 2005. “As pessoas que são vítimas dessa fumaça, dessa atmosfera poluída por gás carbônico, por uma quantidade imensa de partículas no ar, que isso traz não só as doenças respiratórias agudas, mas também, ao longo do tempo, pode gerar doenças crônicas como o próprio câncer”, explica. A chefe de Biodiversidade da Fundação Oswaldo Cruz, Márcia Chame, alerta para a situação dos animais. “Nós trabalhamos com 49ºC no interior no Mato grosso todos os dias. Com as áreas em fogo, chegando a temperatura de 800ºC e com temperaturas bastante avançadas de 55ºC até um centímetro da terra. Então [apenas] animais que conseguem esconder foram protegidos da queimada”, diz. Ela teme também pelo comprometimento de tipos mais exóticos de flores e plantas do Pantanal. Os dados do Inpe mostram que, só no Amazonas, são quase 16 mil focos ativos.

*Com informações do repórter Afonso Marangoni