Requerimento sobre a Jovem Pan é ‘precedente dos mais perigosos que já vivemos’, diz senador

Marcos Rogério afirma que o pedido de quebra de sigilo bancário é um ‘atentado à liberdade de imprensa’

  • Por Jovem Pan
  • 03/08/2021 08h28 - Atualizado em 03/08/2021 08h57
Waldemir Barreto/Agência SenadoMarcos Rogério, senador e titular da CPI da Covid-19, considera que o requerimento de Renan Calheiros é um 'absurdo'

O senador Marcos Rogério (DEM) considera que o requerimento apresentado por Renan Calheiros pedindo a quebra do sigilo bancário da Jovem Pan é um “atentado à liberdade de imprensa” e um “precedente dos mais perigosos” vistos em um colegiado. Na visão do parlamentar, o pedido do relator da CPI da Covid-19 é inconstitucional. “Talvez seja um dos maiores absurdos que já tenha visto no âmbito de uma CPI do parlamento brasileiro, que é tido sempre como a Casa de defesa das garantias constitucionais dos profissionais, sejam eles da comunicação, advogados. […] Seria um atentado à liberdade de imprensa jamais visto no âmbito do parlamento. Gostaria que nem fosse pautado, mas para a minha tristeza foi pautado”, afirmou o parlamentar em entrevista ao Jornal da Manhã nesta terça-feira, 3. “É um dia triste e lamentável pelos requerimentos que constam na pauta, mais de 130, incluindo um que atenta contra a liberdade de imprensa no Brasil. Mesmo que não seja votado, é um precedente dos mais perigosos que já vivemos no âmbito de uma CPI”, completou.

Sobre as expectativas para a retomada dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Marcos Rogério disse esperar que os senadores queiram “investigar a corrupção de verdade”, em referência às suspeitas de desvios de verbas em Estados e municípios durante a pandemia. Para o senador, no entanto, a pauta desta terça-feira mostra que a mudança não é uma vontade do G7. “Eles querem continuar com aquela linha, continuar investigando fatos inexistentes, pagamentos que nunca existiram. Para integrantes do G7, isso seria o ápice da corrupção do governo. […] Acusam o presidente, governo federal e o Ministério da Saúde sem ter elemento de prova quem recebeu, de onde recebeu. Não há provas uma prova sequer”, pontuou o parlamentar. A CPI da Covid-19 recebe nesta terça o reverendo Amilton de Paula, que teria intermediado a negociação de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca com a Davati Medical Supply.