Retirada da vice-liderança do governo, Bia Kicis diz não se considerar traída por Bolsonaro: ‘Fui surpreendida’

Deputada federal declarou que tentou votar a favor do Fundeb, mas não conseguiu

  • Por Jovem Pan
  • 23/07/2020 08h49 - Atualizado em 23/07/2020 09h07
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoBia Kicis relatou dificuldade imensa de pautar, votar ou aprovar projetos do governo federal no Congresso

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) não se considera traída pelo presidente Jair Bolsonaro após perder o cargo de vice líder do Congresso Nacional, mas admite que preferiria ter recebido uma ligação do que saber pela imprensa. Após votar contra a renovação do Fundeb, principal financiador do setor no Brasil, ela foi retirada da função. “Não vou dizer que me senti traída, mas fui surpreendida”, revelou. “Eu, que batalho tanto contra a doutrinação nas escolas, estaria traindo minha consciência e meus eleitores. Tentei votar a favor, mas não consegui.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, a deputada relatou dificuldade imensa de pautar, votar ou aprovar projetos do governo federal no Congresso e disse entender a necessidade do presidente de fortalecer relações. “Estava havendo uma espécie de boicote. Tudo o que vinha do governo acabava ficando: era MP caducando, projetos não sendo pautados. Isso é muito ruim porque o Brasil precisa andar. A pauta vencedora nas urnas é muito reformista e precisa ir adiante. Eu compreendo essa necessidade do presidente de ampliar a base e conversar com outros parlamentares, acho até que demorou para ele fazer isso.”

Bia Kicis afirmou que se inspira no presidente Jair Bolsonaro “que sempre votou pelas suas convicções” e que, quando fez a imagem da Constituição em sua consciência com a emenda e pensou que poderia ter a sua digital ali, não conseguiu votar a favor da PEC. “Não sou contra o Fundeb, mas sou contra a PEC. Acho que deveria ser feita de outro jeito. Eu sempre votei com o governo, inclusive nesse caso eu não fiz oposição. Só votei de acordo com a minha consciência. É uma pauta importante para a esquerda e queriam que o Bolsonaro saísse com a imagem derrotada. Mas o governo apoiou e conseguiu fazer o que a esquerda queria e não conseguiu”, finalizou.