Saída para risco de apagão depende mais de reforço na oferta do que economia caseira, diz especialista

Enfrentando a pior seca dos últimos 90 anos, país pode enfrentar falta de energia entre outubro e novembro

  • Por Jovem Pan
  • 04/09/2021 10h10
Creative Commons/FlickrEm 2001, país enfrentou apagão causado pela falta de chuvas, que secou os reservatórios; agora, cenário é considerado ainda pior

Imagine uma grande região metropolitana de 20 milhões de habitantes sem energia? São Paulo e o Brasil inteiro viram situação parecida em 2001, quando a falta de chuvas secou os reservatórios. Agora, o cenário é muito pior. O país está muito mais dependente da energia elétrica e vivendo a pior seca dos últimos 90 anos. Um apagão pode acontecer já entre outubro e novembro. Segundo especialistas, os reservatórios estão chegando ao fundo. O diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético, Roberto Pereira de Araújo, explica que o país precisaria ampliar a oferta de energia elétrica em 7,5% para reverter a situação antes do apagão. “É preciso contratar de algum jeito mais 5,5 megawatts. Para se ter uma ideia do que significa isso, a Usina de Itaipu, maior do Brasil, tem associado a ele 7,7 megawatts, então é mais de meia Itaipu”, afirmou.

Com a escassez, as usinas termelétricas foram acionadas, produzindo uma energia mais cara, que acaba pesando no bolso do consumidor. Na última semana, o presidente pediu que a população economizasse energia. No entanto, economias residenciais pouco podem ajudar nesse momento, explica Roberto Pereira de Araújo. “O que o presidente falou de apagar uma luz, hoje em dia, com as lâmpadas LED que consomem muito pouco, não adianta. Pelo lado da demanda, o único setor que pode ajudar seriam as indústrias. É preocupante, se vai ser oferecido um prêmio, de onde vem esse dinheiro? Será que eles vão manter os empregos se tiverem que acabar com o turno da tarde?”, questionou. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai receber propostas de redução voluntária da demanda de energia elétrica. Outras soluções apontadas por especialistas seriam, por exemplo, a volta do horário de verão e o aumento da importação de energia da Argentina e do Uruguai.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini