Senador defende convocação de govenadores na CPI da Covid-19: ‘Vamos atrás dos larápios’

Jorginho Mello afirma que o colegiado precisa ‘virar a página’ e iniciar discussões sobre os possíveis desvios de verbas nos Estados e municípios: ‘Povo precisa saber quem agiu com firmeza na pandemia’ 

  • Por Jovem Pan
  • 25/05/2021 09h14 - Atualizado em 25/05/2021 10h59
Pedro França/Agência SenadoParlamentar defendeu ainda a secretária Mayra Pinheiro, afirmando que é um desrespeito ficar chamando a médica de "capitão cloroquina"

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a atuação do governo federal durante a pandemia de Covid-19 retoma os trabalhos nesta terça-feira, 25, com depoimento da secretária da Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “capitã cloroquina”. A expectativa é que, após a oitiva da secretária, a CPI da Covid-19 possa ‘virar a página’ e iniciar as investigações sobre possíveis desvios de verbas nos Estados e municípios, avaliou o senador Jorginho Mello, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan. “Todos os governadores, todos eles receberam uma quantia grande de dinheiro que era para fazer enfrentamento da pandemia, isso não aconteceu em muitos Estados. Governadores que compraram mal, compram equipamentos e não receberam, que pagaram salário de funcionários atrasos. Então o povo precisa saber quem agiu com firmeza na pandemia”, disse, defendendo que o colegiado inicie já na próxima semana os depoimentos sobre o tema. Segundo o parlamentar, no entanto, há possibilidade que os pedidos de depoimentos das autoridades estaduais não sejam aprovadas pela comissão.

“A gente vai bater, vai pedir, vai ficar muito mal para história deles se eles não votarem algo para investigar corrupção. Não quer que chame esse Estado, não quer que chame aquele Estado. Vamos tentar fazer com que governadores venham, a CPI foi aprovada em primeira instância só investigar o governo federal e depois com requerimento do Girão para Estado e municípios. Até agora só ficaram forçando a barra para dizer que o presidente é culpado”, pontuou, criticando a postura que ele chamou de “falácia”. Para Jorginho Mello, há interesse político do relator da CPI da Covid-19, Renan Calheiros, assim como do presidente Omar Aziz e do vice-presidente, Randolfe Rodrigues. “Quem vê eles são pessoas muito preocupadas com a saúde, sempre se preocuparam com os Estados deles. Meu Deus do céu, sempre tiveram ao lado da ciência, ao lado da medicina. O Brasil conhece, ninguém é bobo nessa história”, disse. “Eles continuam querendo ser salvador da pátria, estão preocupados. ‘Em nome das pessoas’, em nome deles. Eles querem aparecer, as eleições estão aí, por isso a CPI sangra. Por isso não tem credibilidade”, completou.

Jorginho Mello defendeu ainda a secretária Mayra Pinheiro, afirmando que é um desrespeito ficar chamando a médica de “capitão cloroquina”. “Ela não vem falar porque ouviu dizer, ela vai trazer documentações, pesquisas feitas. Até porque essa narrativa que estão construindo, até agora só falamos da cloroquina. Enquanto isso, os governadores e prefeitos fizeram maracutaia e ninguém fala disso”, disse, citando o desejo de parte dos senadores de culpar o presidente da República, Jair Bolsonaro, pela indicação do medicamento. “Quem receitou foram os médicos, quem tomou foi alguém que quis tomar”, afirmou. “Hoje vai ser um momento de alguém poder falar do outro lado, porque até agora só fizeram chacota. Tá agarrado o PT com o PMDB e não passa disso. Hoje vamos ver o que ela vai nos dizer para ver se a gente vira essa página e ver vamos atrás dos larápios, vamos atrás de quem não comprou equipamento para salvar vidas.”