Lasier Martins defende que crimes de parlamentares só diminuirão com o fim do foro privilegiado

De acordo com o senador do Podemos, Conselho de Ética da Câmara é corporativista e dificulta a punição aos infratores

  • Por Jovem Pan
  • 17/10/2020 09h48 - Atualizado em 17/10/2020 13h11
Edilson Rodrigues/Agência SenadoChico Rodrigues foi pego com dinheiro na cueca em operação da Polícia Federal

O senador Lasier Martins (Podemos – RS) acredita que crimes cometidos por senadores e deputados só acabarão quando o Congresso aprovar o fim do foro privilegiado. Segundo ele, o caso do dinheiro na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM) foi uma chacota para o conceito dos políticos. “No dia que nós terminarmos com o foro privilegiado mais da metade dos crimes que ocorrem por privilegiados termina. Veja a quantidade de parlamentares que estão indiciados em crimes, mas o processo não anda por causa do foro privilegiado? É preciso combater e exigir que a Câmara dos Deputados coloque em pauta o assunto. No Senado votamos e foi unânime a decisão”, explicou. “Esse gesto do Chico Rodrigues é objeto de chacota em bares e ruas. Chegou ao fundo do poço, porque foi uma atitude escatológica. Pior que isso é impossível, e eu espero que se discuta o fim do foro privilegiado e o Senado tome uma atitude nos próximos dias”, disse.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Lasier também comentou sobre o período que integrou o Conselho de Ética da Câmara e como ele é ‘corporativista’. “Nos dois anos anteriores eu fiz parte do Conselho. A dificuldade que tínhamos para levar alguns infratores e não conseguimos levar nenhum. Teve o caso do Delcídio [do Amaral], tão escancarado que não teve como não haver punição. Quando houve a composição no início do ano passado, eu tinha interesse, mas como já estava no segundo mandato o partido decidiu deixar para outros, mas observei quem compunha. Não vou citar nomes, mas afirmo que há corporativismo no Conselho de Ética”, criticou.

Senador não acredita em impeachment do ministro Marco Aurélio

Perguntado sobre a decisão do ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, de soltar o traficante André do Rap, o senador vê com indignação, mas não acredita em um possível impeachment contra o ministro. “Esse caso da liminar foi terrível. É a desmoralização da Suprema Corte e eu quero louvar a atitude do ministro Luiz Fux que está tomando a iniciativa de levar todas as decisões de processos penais para o colegiado. Entendo que essa atitude de Fux foi correta, mas por outro lado tenho impressão que a ofensiva contra o ato do Marco Aurélio é tão intensa que ele já está punido. Ele perdeu o respeito da sociedade brasileira. Mas não acredito que haja impeachment, já que há casos bem mais graves”