Sete em cada dez homicídios no Brasil não são solucionados, diz levantamento

Distrito Federal solucionou 92% dos casos; Rio de Janeiro ficou na outra ponta, com apenas 11%

  • Por Jovem Pan
  • 29/09/2020 07h00 - Atualizado em 29/09/2020 08h03
PixabayNa avaliação do Instituto Sou da Paz, o Brasil está longe de controlar a epidemia de mortes violentas e de garantir a justiça a familiares

Um levantamento do Instituto Sou da Paz divulgado nesta segunda-feira (28) aponta que 70% dos homicídios no Brasil não são solucionados. Intitulado como Onde mora a impunidade, a pesquisa traz dados públicos das mortes violentas sem solução do ano de 2017 ao fim de 2018. O Instituto destaca que apenas 11 estados da federação souberam responder quantos assassinatos foram esclarecidos no período. Destes, o Distrito Federal, com 92%, tem a maior taxa de elucidação de casos. Na outra ponta, o Rio de Janeiro mostra que muitos homicídios ficam impunes: o estado solucionou apenas 11% dos crimes denunciados pelo Ministério Público. Outros 26 estados não entregaram os dados completos ou sequer responderam ao Instituto.

O gerente de Advocacy do Sou da Paz alerta que há descaso por parte do poder público para a solução desses crimes. Felippe Angeli afirma que a falta de unidade entre os órgãos federais e estaduais possibilita a ideia de impunidade no Brasil. Angeli explica que o Brasil tem a segunda maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes da América do Sul, só atrás da Venezuela — e que, mesmo assim, apenas um décimo dos 743 mil presos no país são condenados por assassinato.

O especialista em Segurança Pública e professor da FGV, Rafael Alcadipani, afirma que o governo federal deveria articular uma política nacional de combate aos homicídios. Para ele, a incapacidade do Estado em centralizar dados deste tipo de crime estimula a prática. Rafael Alcadipani destaca que a falta de valorização dos profissionais de investigação também facilita o crime. A Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo defende que as polícias fazem o que está ao alcance delas. O diretor da organização, Fernando David de Melo Gonçalves, defende que o Estado deveria investir nos setores de inteligência. Na avaliação do Instituto Sou da Paz, o Brasil está longe de controlar a epidemia de mortes violentas e de garantir a justiça a familiares de vítimas.

*Com informações do repórter Vinícius Nunes