SP não deve diminuir intervalo entre as doses enquanto todos os adultos não forem vacinados, diz Gorinchteyn

Intenção é imunizar toda a população acima de 18 anos o mais rápido possível; segundo secretário, quanto maior o espaçamento entre as aplicações, maior é a efetividade das vacinas

  • Por Jovem Pan
  • 11/07/2021 11h48 - Atualizado em 11/07/2021 12h18
VINICIUS NUNES/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO - 07/07/2021Jean Gorinchteyn disse que não devem mais acontecer atrasos no calendário de vacinação no Estado por falta de vacinas

O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou neste domingo, 11, que a gestão estadual não pretende diminuir o intervalo de tempo entre a primeira e a segunda dose das vacinas contra a Covid-19 da AstraZeneca e da Pfizer. A motivação para a mudança no intervalo entre as aplicações estaria na meta de vacinar toda a população adulta o mais rápido possível, mas o secretário disse que a alteração poderia diminuir a efetividade dos imunizantes. “A gente sabe que algumas vacinas como a AstraZeneca e a Pfizer requerem 12 semanas de intervalo. O prazo foi escolhido pelo fato de que um intervalo maior entre uma dose e outra dá a possibilidade de uma melhor condição imunológica. Ou seja, a vacina protege e produz mais anticorpos quando eu afasto o período entre as doses, as pessoas têm uma melhor performance de resposta de proteção. Dessa maneira, o que nós temos condição de fazer agora? Continuar vacinando com esse intervalo atual [12 semanas]. Depois de nós vacinarmos a nossa população alvo, ai, sim, podemos voltar para um intervalo eventualmente mais curto”, explicou Gorinchteyn em entrevista ao Jornal da Manhã.

“Nós queremos salvar mais vidas e salvar também a economia. A única forma de fazer essa retomada de forma segura é com a vacinação. A gente já viu o quanto a vacinação impactou na redução de mortes, das internações e a retomada segura vai existir a medida que nós estejamos avançando no nosso processo de vacinação”, acrescentou o secretário. Segundo ele, o calendário de vacinação deve seguir sendo cumprido sem maiores problemas. “Nós não temos o problema no planejamento e, atualmente, não temos mais o problema na disponibilidade de vacinas. Nós tivemos isso. Tivemos problemas com relação à entrega de insumos por questões diplomáticas, que acabaram trazendo embaraços tanto para a AstraZeneca quanto para a CoronaVac, e, ao mesmo tempo, nós não tínhamos o número de doses da vacinas que nós temos hoje da Janssen e da Pfizer. E, felizmente, nós já estamos com essas doses disponíveis”, apontou Gorinchteyn.

“Entregamos no mês passado quase 10 milhões de doses da CoronaVac para o PNI (Plano Nacional de Imunização). Estaremos distribuindo no dia 15 mais 10 milhões de doses. Receberemos mais 24 mil litros de IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) que antecipará o fornecimento de doses da vacina para o Ministério da Saúde. Anteciparemos em 30 dias essa disponibilidade de doses de vacina. E dessa forma, conseguiremos evoluir de uma forma muito mais rápida”, assegurou. A grande carta na manga do governo do Estado de São Paulo para o avanço da vacinação é a introdução da ButanVac ao cardápio de vacinas autorizadas pela Anvisa. “A segunda fase do estudo, que é a fase B, vai acontecer nas próximas semanas com quase 5 mil voluntários, fazendo com que esse processo de análise do estudo demore, ao menos, 17 semanas. Em paralelo, por orientação do governador João Doria, já existe a produção dos insumos farmacológicos ativos pelo próprio Butantan. Hoje são aproximadamente 10 milhões de doses disponíveis após a imediata aprovação da Anvisa. Lembrando que, até o final de setembro, nós teremos 40 milhões de doses da ButanVac produzidas pelo Butantan. Com a liberação pela Anvisa, essas vacinas rapidamente estarão disponibilizadas para a população a partir de novembro”, afirmou.