Suécia tem poucos casos de Covid-19 e volta ao patamar registrado em março

A média semanal de novos casos no país escandinavo ficou em 108 nesta terça-feira (15)

  • Por Ulisses Neto/Jovem Pan
  • 16/09/2020 08h02 - Atualizado em 16/09/2020 09h39
EFE/EPA/Peter FoleyA Suécia tem uma população de apenas 10 milhões de pessoas, mais ou menos do tamanho da cidade de São Paulo

Enquanto em parte da Europa os casos de coronavírus estão subindo em níveis alarmantes, a Suécia segue sua vida de forma quase normal. O país, que decidiu ir na contramão do continente e não adotou medidas severas de quarentena, agora parece estar colhendo os resultados. O nível de contaminações por lá bateu o recorde mínimo e chegou ao mesmo patamar registrado no início de março. A média semanal de novos casos no país escandinavo ficou em 108 nesta terça-feira (15) e somente 1,2% dos testes de Covid-19 realizados na semana passada deram positivo.

De acordo com o Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças, a taxa de contaminações da Suécia está em 22 a cada 100 mil pessoas. No Reino Unido, por exemplo, a mesma taxa é de 59. Na Espanha, ela salta para 279 contaminações e na França para 158,5. Até mesmo na comparação com os vizinhos Noruega e Dinamarca, que tem sociedades e populações parecidas, a Suécia se sai bem. Os nórdicos adotaram uma postura que foi duramente criticada no início da pandemia, mas também acionaram medidas importantes de restrição.

As escolas ficaram abertas para a maioria dos estudantes — só os que tinham mais de 16 anos e universitários ficaram sem aulas. As reuniões e eventos com mais de 50 pessoas foram proibidas e os grupos de risco receberam orientação para ficarem isolados. Comércio, restaurantes e academias de ginástica permaneceram isolados e a utilização de máscaras não foi recomendada até hoje. O governo de Estocolmo contou com o bom senso da população para tentar conter o coronavírus.

Agora, é preciso ressaltar que a Suécia tem uma população de apenas 10 milhões de pessoas, mais ou menos do tamanho da cidade de São Paulo — e com alto nível de bem estar social, com o Estado muito presente na vida dos cidadãos em todos os níveis. Ou seja — fazer comparações até mesmo com outros países europeus é impreciso. E também é relevante ressaltar que muita gente morreu por Covid-19 por lá, principalmente no início da pandemia. A Suécia tem taxa de 574 mortes por milhão — o que é cinco vezes maior que a Dinamarca e 10 vezes mais que Noruega e Finlândia. Ainda é cedo para concluir se a estratégia do país realmente deu certo — mas é difícil acreditar que ela funcionaria em outros lugares do mundo.